Bets reguladas contestam dados de movimentos Brasil Contra as Bets e Block do Tigrinho

Apostas I 15.06.26

Por: Magno José

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Bets reguladas contestam dados de movimentos Brasil Contra as Bets e Block do Tigrinho
Os dados e números divulgados pelos movimentos sugerem que o uso de informações questionadas por especialistas como falsas, erradas e exageradas sobre o setor regulado pode ter limitado o alcance das mobilizações

O setor regulado de apostas online questiona números divulgados por duas campanhas lançadas há duas semanas no Brasil. Os movimentos “Brasil Contra as Bets” e “Block do Tigrinho” reúnem entidades da sociedade civil, artistas e cantores em ações coordenadas contra plataformas de apostas esportivas e jogos online. As iniciativas incluem divulgação de estudos sobre o setor e apresentação de projetos de lei no Congresso Nacional.

O movimento “Block do Tigrinho” foca na mobilização cultural e popular, com métricas de redes sociais. O movimento “Brasil Contra as Bets” atua diretamente na esfera legislativa, com apresentação de projetos de lei no Congresso Nacional.

A controvérsia sobre a precisão dos dados apresentados pelas campanhas ganha relevância diante dos números de adesão registrados até o momento.

O movimento “Brasil Contra as Bets” recebeu apoio de 48.520 pessoas no site da campanha após duas semanas. A petição “Proibição da publicidade de BETs (apostas online) no Brasil” no Change.org foi criada em 25 de maio de 2026. A petição foi assinada por 597 pessoas no mesmo período.

A campanha “Block do Tigrinho” registra maior engajamento de artistas e cantores. A campanha conta com 92,7 mil seguidores no Instagram após duas semanas. Mais de 30 mil pessoas assinaram o abaixo-assinado online na página da campanha.

Os dados e números divulgados pelos movimentos sugerem que o uso de informações questionadas por especialistas e pelo próprio setor regulado pode ter limitado o alcance das mobilizações, que não atingiram a adesão massiva esperada para campanhas com participação de artistas de grande projeção nacional.

Representantes das empresas licenciadas apontam inconsistências nos números divulgados pelos movimentos.

Estudo produzido pela IESPS e UNIFESP aponta que 12,8 milhões de pessoas apresentam comportamento de risco relacionado às apostas. O Ministério da Fazenda registrou que 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas em 2025. Os números do estudo indicariam que metade dos apostadores teria algum tipo de problema com jogo.

Dados oficiais do governo mostram que 12,96% da população brasileira apostou em 2025 com ticket médio mensal de R$ 122,00. O setor regulado usa as informações do Ministério da Fazenda como base para contestar os números apresentados pelas campanhas.

O estudo divulgado pelas instituições afirma que “os custos com perda de qualidade de vida, tratamentos médicos, depressão e suicídio podem chegar a R$ 30,6 bilhões”. O setor regulado questiona a metodologia utilizada para chegar a esse valor.

Divergências sobre geração de empregos

Dados atribuídos ao Ministério do Trabalho de 2024 indicariam que o setor de apostas gerou 1.144 empregos formais. Os números apontariam média de 19 empregos por empresa. Informações atribuídas ao IBGE de 2024 indicariam que 84% dos trabalhadores não contribuem para a previdência.

Mas na verdade, o setor foi regulamentado no segundo semestre de 2024 e as operações iniciaram efetivamente em 2025. Atualmente, o setor gera mais de 25 mil empregos diretos e 40 mil indiretos, segundo representantes das empresas regulamentadas.

Dois projetos de lei foram apresentados no Congresso Nacional paralelamente à criação dos movimentos. O PL 2478/26 tramita na Câmara dos Deputados. O PL 2470/26 foi apresentado no Senado. As propostas visam alterar a Lei nº 14.790/2023 para implementar regras mais rígidas no setor de apostas de quota fixa e jogos online.

As propostas legislativas abordam proibição de jogos de alto risco e restrição de propagandas. Os projetos também tratam da responsabilização das plataformas de apostas.

Campanha apresenta números contestados

O movimento “Block do Tigrinho”, liderado por artistas e cantores, divulga dados que divergem dos números oficiais do governo. A campanha afirma que “57% dos endividados começaram com as Bets”. O percentual resultaria em 47,4 milhões de pessoas. O total de brasileiros que apostaram em 2025 foi de 25,2 milhões, segundo dados oficiais.

Vídeo divulgado pelo movimento afirma que “desde 2023 que R$ 143 bilhões saíram do mercado e foram parar nas apostas online“. O setor regulado questiona o cálculo apresentado. Os apostadores teriam que perder aproximadamente R$ 48 bilhões anualmente para que o valor fosse correto, segundo representantes das empresas licenciadas.

Anitta, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Emicida, Marieta Severo, Alinne Moraes e Camila Pitanga participaram das postagens do movimento. As plataformas de apostas são as maiores patrocinadoras de shows dos cantores que participam da campanha contra as bets.

Até a primeira-dama Janja Lula da Silva aderiu formalmente à campanha. Ela gravou vídeo criticando o impacto das bets no orçamento das famílias brasileiras, mas aproveitou para defender medidas adotadas pelo governo do presidente Lula como tributação e regras rígidas para abertura de novas bets.

A primeira-dama também destacou a criação de uma plataforma unificada de autoexclusão. O sistema bloqueia o CPF em todos os sites de apostas autorizados.

Empresas reguladas exigem fiscalização contra clandestinidade

As empresas de bets regulamentadas e licenciadas se manifestaram publicamente em resposta à pressão popular gerada pela campanha. As plataformas cobraram do Ministério da Fazenda regras mais rígidas e maior fiscalização contra as plataformas ilegais e o fornecimento clandestino do jogo “Fortune Tiger”. A manifestação busca desvincular as empresas reguladas do rótulo de plataformas predatórias apontado pelos artistas.

 


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