Clube ganha menos com loteria federal.

Loteria I 13.10.04

Por: sync

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A zebrinha já não tem o mesmo apelo. Os clubes de futebol receberam este ano, de janeiro a setembro, R$ 4,369 milhões em recursos das loterias esportivas federais. Neste ritmo, fecharão o ano com bem menos do que os R$ 6,785 milhões repassados em todo o ano passado. A queda no bolo ocorre num momento em que os repasses para os Comitês Olímpico e Paraolímpico Brasileiro não param de crescer. O COB abocanhou R$ 51,671 milhões no período, enquanto o CPB ficou com R$ 9,118 milhões, contra R$ 57,572 milhões e R$ 10,159 milhões, respectivamente, ao longo de 2003. – Há uma menor procura das loterias de prognóstico esportivo – reconhece o superintendente de loterias da Caixa Econômica Federal, Paulo Campos, ressaltando que, na comparação com igual período de 2003, o total de recursos repassados para o esporte pelo banco subiu 27%. Campos esclarece que os percentuais de repasse são fixados por lei. Os clubes levam 10% da receita da loteria esportiva, como uma espécie de direito de arena. Já o COB e o CPB recebem, respectivamente, 1,7% e 0,3% do bolo total – ou seja, dos R$ 3,18 bilhões arrecadados em todos os jogos lotéricos no país ao longo do ano. A aposta do superintendente para reverter a tendência de queda é o Timemania, loteria em que, no lugar de números, os bilhetes terão escudos dos 80 maiores clubes de futebol do país – no mínimo, dois de cada estado. O problema é que a novidade deverá ficar para 2005. Campos explica que o produto altera a cadeia de beneficiários tradicionais das loterias: além do repasse de 10% para reforçar o caixa dos clubes, a renda líquida iria para o Ministério do Esporte. – Essa mudança só será possível com a aprovação de um projeto de lei. Aí, levaríamos cerca de 60 dias para começar a oferecer o produto. Os clubes terão agora que rearticular a bancada da bola no Congresso para ver o projeto aprovado. Jogada difícil em tempos de eleições municipais e plenário deserto.
Jornal do Brasil 

De olho na verba: Dirigentes e atletas querem mais dinheiro. O futebol reage.
Antes mesmo do final das Olimpíadas, atletas e dirigentes brasileiros afinaram o discurso e puseram a boca no trombone. Querem mais dinheiro do governo para o esporte olímpico.
Não satisfeitos com os cerca de R$ 47,4 milhões distribuídos para o Comitê Olímpico Brasileiro, graças à Lei Piva, que destina 2% dos prêmios das loterias para o esporte olímpico e paraolímpico, preparam lobby no Congresso para aumentar essa fatia para 2,5%.
Querem também que Lula envie o mais rapidamente possível à Câmara o projeto de lei de incentivo fiscal para o esporte, que havia sido vetado pelo Ministério da Fazenda, acabou sendo refeito e voltou para o presidente assinar.
Mas a luta não vai ser fácil. Dirigentes de futebol, que também querem recursos do governo, reclamam de suposta proteção do Ministério do Esporte aos esportes olímpicos. E até mesmo alguns atletas, políticos e dirigentes que não são ligados ao futebol têm dito que é uma temeridade entregar mais dinheiro nas mãos de presidentes de confederações, todos eles amadores.
Se falta moral à turma do futebol, que no Brasil, como se sabe, não prima pela gestão competente e honesta, outros esportes não deixam de oferecer munição ao lobby antiolímpico.
Dirigentes do judô, por exemplo, que no ano passado recebeu cerca de R$ 1,2 milhão só da Lei Piva, ao explicar o fraco desempenho em Atenas, chegaram a argumentar que não tiveram dinheiro suficiente sequer para comprar vídeos de lutas de atletas estrangeiros. Pelo jeito, as fitas eram bem carinhas.
Carta Capital

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