Deputado do PSOL protocola projeto para suspender instalação de VLTs no Rio

Loteria I 23.09.25

Por: Magno José

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Deputado do PSOL protocola projeto para suspender instalação de VLTs no Rio
Yuri Moura questiona decreto do governador Cláudio Castro que autoriza terminais em estabelecimentos comerciais. Iniciativa ocorre após Prefeitura anular alvará para terminais no Jockey Club Brasileiro (Foto: ALERJ)

O Deputado Estadual Yuri Moura (PSOL) protocolou um projeto de decreto legislativo para suspender a autorização de instalação de máquinas de apostas em estabelecimentos comerciais no Rio de Janeiro. A iniciativa, apresentada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), visa barrar o decreto nº 49.804/2025 assinado pelo Governador Cláudio Castro. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também abriu procedimento questionando a constitucionalidade da medida.

A ação do parlamentar ocorre após a Prefeitura do Rio anular o alvará que permitiria a instalação de terminais de apostas no Jockey Club Brasileiro. Conforme reportado pelo Jornal de Itaipava, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) revogou a autorização para instalação de Video Lottery Terminals (VLTs) no Hipódromo da Gávea.

Yuri Moura criticou a forma como o decreto foi implementado. “Não houve debate público sobre o tema, o governador poderia ter enviado um projeto de lei para a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), mas preferiu impor a medida via decreto, sem a participação do parlamento e da sociedade”, disse o deputado, que pretende entrar com ação de inconstitucionalidade.

O parlamentar, que também atua contra apostas online e jogos de azar, chamou a iniciativa de Castro de “caça-pix”, em referência ao sistema de pagamento utilizado nas transações. Ele expressou preocupação com o aumento potencial de casos de ludopatia entre os fluminenses.

“O decreto fala em estímulo ao turismo, mas existe um estímulo ao vício e endividamento familiar, fenômeno conhecido como ludopatia. Estão mascarando o caça-níquel e criando o “caça-pix”. A instalação destas máquinas de apostas em estabelecimentos não exclusivos, como bares, padarias e pequenos comércios, normaliza o jogo e o torna uma atividade cotidiana, de fácil acesso, aumentando drasticamente a probabilidade de comportamento compulsivo, especialmente entre indivíduos de baixa renda”, afirmou o deputado.

Moura alertou que o acesso facilitado às apostas pode levar famílias a comprometer recursos essenciais, incluindo benefícios sociais, para sustentar o vício.

O deputado também questionou a promessa de geração de empregos defendida pelos apoiadores do decreto. “O número de 65 mil empregos frequentemente citado carece de detalhamento e transparência. Trata-se de uma estimativa superestimada, mais útil como ferramenta de propaganda do que como projeção econômica concreta. É necessário comparar esse dado aos custos sociais e de saúde pública que o vício em jogos impõe, como tratamento de ludopatia, aumento da criminalidade e desestruturação familiar, que podem superar qualquer benefício marginal”, declarou.

As medidas de proteção ao consumidor previstas no decreto foram consideradas insuficientes pelo parlamentar. Para ele, avisos de restrição etária e mensagens de “jogue com responsabilidade” são apenas formalidades. “A verdadeira proteção exigiria campanhas massivas de conscientização sobre os riscos do jogo, limites rigorosos de depósito e mecanismos proativos de identificação e intervenção junto a jogadores em situação de risco. A superficialidade das medidas previstas demonstra negligência com a saúde pública e o bem-estar social”, afirmou.

Yuri apontou vulnerabilidades no aspecto da segurança financeira, mesmo com a implementação de sistemas de identificação de clientes e uso exclusivo de PIX. “A capilaridade e o volume de operações podem criar brechas significativas para a lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas. A sobrecarga da capacidade de fiscalização da Loterj é um risco real, transformando o ambiente de jogos em terreno fértil para atuação de organizações criminosas e comprometendo a integridade do sistema financeiro”, alertou.

O deputado apresentou quatro projetos de lei complementares na Alerj para mitigar os impactos negativos da expansão dos jogos de azar. O PL nº 5482/2025 busca regular a exploração de apostas esportivas e lotéricas, estabelecendo limites para publicidade e operação dos terminais.

O PL nº 5483/2025 foca na conscientização sobre os riscos do vício em jogos e medidas preventivas. Já o PL nº 5484/2025 visa fortalecer o combate à lavagem de dinheiro e ampliar a fiscalização das operações lotéricas.

O quarto projeto, PL nº 5485/2025, estabelece mecanismos de monitoramento e punições para estabelecimentos que facilitem apostas irregulares ou exponham pessoas vulneráveis ao risco de endividamento compulsivo. Todas as propostas estão em tramitação na Alerj.”

 


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