DraftKings e FanDuel renunciam à AGA

Após uma discussão sobre como os mercados de previsão se encaixam no cenário legal das apostas esportivas na reunião do Comitê de Políticas Públicas (PPC) da American Gaming Association (AGA), em Washington, D.C., na segunda-feira, a DraftKings e a FanDuel se desvincularam repentinamente da organização comercial. Ambas as empresas haviam anunciado anteriormente sua intenção de começar a oferecer contratos para eventos esportivos por meio de mercados de previsão, que são regulamentados pela Comissão Federal de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), e não por órgãos reguladores estaduais, revela o portal Ingame.
Algum tempo depois da reunião geral do PPC na segunda-feira (17), o comitê executivo da AGA se reuniu, e o resultado final foi uma clara divisão entre a AGA, a DraftKings e a FanDuel sobre os mercados de previsão. A AGA se opõe ativamente à regulamentação federal de contratos de eventos esportivos. Fontes dizem que a divergência pareceu ser suficiente para romper a relação, e a DraftKings e a FanDuel renunciaram antes que uma votação sobre seu futuro pudesse ser realizada.
“A FanDuel construiu seu negócio mantendo parcerias sólidas no setor”, disse um porta-voz da FanDuel ao InGame por e-mail na noite de segunda-feira. “Valorizamos o espírito de colaboração que surge dessas relações. Mas, à medida que expandimos para os mercados de previsão, reconhecemos que essa direção não está alinhada com as prioridades atuais da American Gaming Association para seus membros. Após cuidadosa consideração, decidimos nos retirar da nossa associação à AGA neste momento.”
Um porta-voz da DraftKings disse ao InGame na noite de segunda-feira: “À medida que a estratégia de negócios da empresa evolui — inclusive com os mercados de previsão — a DraftKings determinou que seus planos não estão mais totalmente alinhados com a direção da AGA em certas áreas e decidiu renunciar à sua filiação.”
Um porta-voz da AGA confirmou as saídas
“Após negociações com a DraftKings e a FanDuel, a AGA aceitou o pedido de cancelamento de suas filiações, com efeito imediato”, escreveu o porta-voz da AGA por mensagem de texto. “Desejamos-lhes tudo de bom e esperamos manter laços estreitos em nossa missão de promover e proteger os jogos de azar legais e regulamentados.”
Apesar das divergências de opinião em relação aos mercados de previsão, é provável que a DraftKings e a FanDuel continuem a pressionar, por meio da Sports Betting Alliance (SBA), juntamente com a AGA, para legalizar as apostas esportivas tradicionais. As empresas, juntamente com a bet365, a BetMGM e a Fanatics Sportsbook, compõem a SBA.
Cassinos são diferentes de empresas de tecnologia
As saídas ressaltam as diferenças entre os tipos de empresas que oferecem apostas esportivas legais — empresas tradicionais de cassino, como Caesars, MGM e Penn Entertainment, optaram por não entrar nos mercados de previsão, enquanto empresas de tecnologia como DraftKings, FanDuel, PrizePicks e Underdog estão abraçando essa prática.
Embora tanto as empresas de cassino quanto as empresas de tecnologia ofereçam apostas esportivas regulamentadas pelo estado, seus modelos e planos de negócios são diferentes. As empresas de cassino geralmente têm centenas de milhões de dólares em ativos físicos para proteger, hipotecas para pagar e milhares de funcionários. As empresas de tecnologia possuem poucos ou nenhum local físico de jogos e empregam menos pessoas porque quase todo o seu negócio é online, em vez de presencial.
A Underdog já está em operação com mercados de previsão limitados em 22 estados, incluindo alguns que possuem apostas esportivas regulamentadas pelo estado. A Underdog é uma provedora de tecnologia para a Crypto.com. A PrizePicks lançou sua plataforma de previsão na sexta-feira em parceria com a Kalshi.
Na semana passada, antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Flutter, sua controladora, a FanDuel anunciou planos para lançar o FanDuel Predicts em parceria com a CME no próximo mês. A DraftKings fez um anúncio semelhante antes da divulgação de seus resultados do terceiro trimestre na semana anterior. A DraftKings adquiriu a plataforma Railbird, aprovada pela CFTC, e planeja lançar o DraftKings Predictions “nos próximos meses”. Tanto a DraftKings quanto a FanDuel afirmaram que não lançarão suas plataformas de previsão em mercados de apostas esportivas legalizados e que irão excluir áreas de territórios indígenas.
A AGA pode agora ter uma mensagem mais clara
Os contratos para eventos esportivos ganharam notoriedade em janeiro, quando Kalshi começou a oferecê-los antes do Super Bowl. Desde então, a Crypto.com também passou a oferecê-los, e a Polymarket planeja lançar seus serviços em breve. No mercado regulamentado, há quem diga que os mercados de previsão — definidos como ferramentas financeiras e não como jogos de azar — estão invadindo o território dos jogos de azar regulamentados pelos estados. Alguns órgãos reguladores estaduais enviaram notificações extrajudiciais para impedir a entrada dos mercados de previsão em suas jurisdições, e Kalshi enfrenta processos judiciais em diversos estados dos EUA.
Entre esses estados está Nevada, onde o conselho de controle de jogos anunciou na semana passada que a FanDuel havia renunciado à sua licença e a DraftKings havia retirado seus pedidos de licenciamento. A FanDuel opera uma casa de apostas esportivas física em Las Vegas e nem a DraftKings nem a FanDuel possuem licença para apostas online em Nevada.
A AGA tem feito lobby contra os mercados de previsão, argumentando que eles não estão sujeitos aos mesmos tipos de regulamentação que as casas de apostas esportivas regulamentadas pelos estados, incluindo a falta de diretrizes de jogo responsável. Os mercados de previsão também não pagam impostos estaduais.
A AGA tem se equilibrado numa corda bamba em seus esforços de lobby sobre os mercados de previsão, com alguns membros se opondo e outros apoiando.
“Isso permite que eles se expressem com total liberdade”, disse uma fonte ao ser questionada sobre como as saídas afetarão os esforços de lobby da AGA. “A situação estava chegando a um ponto em que ficaria complicada.”
