“É uma hipocrisia que nós precisamos enfrentar”, diz o presidente da CTur, Deputado Bacelar, sobre a legalização dos jogos no Brasil

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Deputado Bacelar (Podemos-BA), presidente da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados

Interessado, receptivo, disposto a ajudar. São estes alguns dos relatos que se ouve de lideranças do trade turístico quando questionadas sobre o novo presidente da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, João Carlos Bacelar Batista, ou somente Deputado Bacelar (Podemos-BA). O parlamentar baiano, que está em seu segundo mandato, ocupa pela primeira vez a presidência de uma comissão permanente na casa, justamente em meio a maior crise da história do setor de Turismo e com o desafio de lutar pela aprovação de medidas emergenciais que garantam a sobrevivência de empresas em diversos segmentos.

Apesar do cenário, Bacelar vê a missão com entusiasmo e como uma oportunidade de pensar o futuro do setor no pós-pandemia. Este entusiasmo se mostrou na intensa agenda da CTur das últimas semanas.

Em entrevista ao jornalistas Igor Regis da Mercado & Eventos (M&E), o Deputado Bacelar se mostrou muito ciente dos impactos provocados pela pandemia de Covid-19 e também encantado com as lideranças do setor, que, de acordo com ele, “não estão interessadas em colocar gasolina na fogueira”, mas em apontar perspectivas e soluções para os gargalos existentes.

Entre projetos e pautas que demandam atenção especial, não só da Comissão de Turismo, como de todo o Congresso, o parlamentar se mostra um entusiasta da legalização dos jogos, o que segundo ele seria “enfrentar uma hipocrisia” e uma solução para gerar empregos, desenvolvimento econômico e cerca de R$ 20 bilhões em impostos.

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M&E: Uma das pautas antigas do setor e uma medida vista como forma de aumentar a arrecadação é a legalização dos jogos, mas especificamente dos cassinos integrados a resorts, o que o senhor já afirmou ser um defensor. Acredita que é possível avançar com essa pauta?

Bacelar: Aí entra o jogo. Precisamos legalizar e trazer cassinos para o Brasil. E quando falamos legalizar é uma legalização geral para que podemos destinar parte dos recursos resultantes deste processo para promover a marca Brasil. Em todos os países, ricos, civilizados e democráticos o jogo é permitido. E por uma questão muito simples, não existe a hipótese de não jogo. Toda sociedade joga. Desde 4 mil anos antes de Cristo todas as sociedades jogaram, passando por gregos, romanos e toda história. Então é uma hipocrisia que nós precisamos enfrentar. Pesquisas já mostram que na Câmara e no Senado o número de parlamentares que apoiam a legalização dos jogos já é maioria. Um país que precisa de emprego, que precisa de crescimento econômico, um país que tem crescimento negativo não pode se dar ao luxo de dar as costas a uma medida que tem potencial de gerar cerca de R$ 15 a R$ 20 bilhões em impostos e 600 mil empregos. No caso dos cassinos, isso ainda vai desenvolver toda uma cadeia produtiva, com a construção de hotéis, contratação de pessoal, movimentar o negócio mobiliário, o segmento de transporte e o de entretenimento, com os shows.

M&E: Se é uma proposta que já conta com o apoio da maioria, por que ainda não foi ao plenário?

Bacelar: Porque há divisões dentro das bancadas da Câmara que apoiam essa legalização. Tem quem apoie a legalização de todos os jogos, outros apoiam cassinos urbanos e tem quem queira somente os cassinos integrados a resorts. Ainda não há um consenso sobre isso.

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