Fim de parceria entre BB e Caixa afeta pequenos municípios

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Em Prado Ferreira na Região Metropolitana de Londrina, clientes do BB terão que se deslocar 15 quilômetros até Jaguapitã para receber ter acesso aos serviços bancários

 

Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, os dois maiores bancos públicos do país, vão encerrar o acordo para uso compartilhado das lotéricas e dos terminais de autoatendimento na próxima quarta-feira (18). O acordo que está para ser encerrado permite saques em espécie e pagamento de boletos por intermédio das retiradas nas lotéricas, e também possibilita a consulta aos saldos nas contas.

O convênio entre os bancos começou em 2005, no entanto o Banco do Brasil avaliou que o aumento que a Caixa queria cobrar para uso da rede estava elevado e que não valeria a pena manter a parceria. Para o BB, é mais vantajoso ampliar a rede de correspondentes próprios (Rede Mais BB) nos municípios dependentes do uso compartilhado dos equipamentos com a Caixa.

O presidente do Sinlopar (Sindicato dos Empresários Lotéricos do Paraná) e vice-presidente da Febralot (Federação Brasileira das Empresas Lotéricas), Aldemar Mascarenhas, ressaltou que o fato dos clientes do banco ficarem desassistidos em municípios pequenos gera uma preocupação muito grande. “Essa é uma preocupação de todos, inclusive nossa, mas é o governo quem manda e eles só pensam nos grandes. Não pensam nos pequenos. É uma medida absurda e revoltou os clientes do Banco do Brasil”, destacou.

Morador de Prado Ferreira (Região Metropolitana de Londrina) há seis anos, o professor Carlos Hiroki Hashimoto utiliza a lotérica do município de menos de 4 mil habitantes neste mesmo período para receber o pagamento. Ele ficou sabendo do fim da parceria há 15 dias e desde então está preocupado com a rotina para ter acesso a um serviço básico. O Banco do Brasil mais próximo fica a cerca de 15 quilômetros de distância, em Jaguapitã. “Fica difícil para nós. Era uma ‘mão na roda’ retirar o dinheiro aqui, fazer depósitos. É combustível e tempo que serão gastos e em meio a uma pandemia”, lamentou.

Hashimoto é funcionário público do Estado, contratado para lecionar via PSS (Processo Seletivo Simplificado). A categoria é a mais prejudicada na cidade com o rompimento do vínculo entre os bancos estatais, já que os servidores recebem pelo BB. “Antes ainda tínhamos duas opções, que eram os Correios e a lotérica. Agora vamos ficar sem nada”, constatou. A única agência bancária é do Sicredi. O Bradesco tem uma unidade, entretanto, apenas para atendimento ao público, sem possibilidade de transações financeiras.

Perda de receita

Segundo Aldemar Mascarenhas, já era um hábito para esses clientes irem às lotéricas para fazer os pagamentos e saques. “Era uma forma de facilitar a vida deles. Agora a Caixa e o Banco do Brasil romperam o contrato e estão apostando nesse tal de PIX, que ninguém sabe o que vai virar. Deveria ter um tempo de maturação dessa nova ferramenta para ver se haverá adesão nessas cidades pequenas antes de tomar qualquer decisão”, apontou.

“Nós, lotéricos, estamos transtornados com tudo isso. Vamos perder receita e como vamos manter os empregos? Não dá para mensurar quanto de receita isso representa, mas o impacto é significativo. Essa pandemia antecipou muita coisa relacionada ao uso da tecnologia e houve prejuízo para alguns setores e o nosso será afetado. A tecnologia está desumanizando essa relação. Eu critico veementemente. Temos que encarar de frente e achar uma saída, mas no momento não vislumbramos nada”, analisou Mascarenhas.

“A gente está tentando entrar em contato com os políticos para achar uma solução, mas não está adiantando. Não dá para tomar medida de forma tão brusca como agora. Não faz sentido. Essa é a nossa crítica. A partir do dia 18 será um ‘tendéu’ (bagunça, desordem). Os clientes estão insatisfeitos”, declarou. (Confira a íntegra da reportagem na Folha de Londrina – PR)

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