José Serra: opinião ultrapassada e baseada em dados inexistentes

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Todas as previsões e avaliações equivocadas citadas pelo senador José Serra são do Século passado e, com a democratização da informação pela internet, dados errados ou equivocados são facilmente confrontados. Confira a verdade dos fatos

Não existe novidade na opinião do senador José Serra no artigo ‘Vendendo ilusões a preço de ouro’ veiculado pelo O Estado de São Paulo desta quinta-feira (26) sobre a legalização dos cassinos no Brasil.

José Serra repete as mesmas bobagens manifestadas no artigo ‘O jogo errado’ (Folha S.Paulo, 29.03.1998) e ‘Sarna pra se coçar’ (O Estado de S.Paulo, 29.01.2016) sempre baseado em informações do Século passado com equívocos e com dados mentirosos.

José Serra insiste em repetir dados da década de 90, que relaciona os jogos de azar com crime e usa estatística norte-americana, que nos Estados Unidos 40% dos crimes de colarinho branco (lavagem de dinheiro) estão associados ao jogo de azar.

Relatório da AGA sobre o assunto

Inclusive, o relatório da American Gaming Association ‘

Casino Gambling and White-Collar Crime: An Examination of the Empirical Evidence’ de agosto de 1999, aborda com muita propriedade um dos principais equívocos dos artigos do senador, quando afirma que “segundo o Instituto Americano de Seguros, 40% dos crimes de colarinho branco nos Estados Unidos têm raízes no jogo. Entre 1977, quando os cassinos foram autorizados a operar fora de Las Vegas, e 1996 as taxas de criminalidade nos Estados Unidos, para seis de sete tipos de crimes violentos, cresceram”.

O relatório informa que alguns observadores afirmam que há uma relação direta entre os jogos de cassino e o crime de colarinho branco. Alega-se que algumas pessoas vão gastar mais em casinos e desenvolver hábitos compulsivos com relação aos jogos de azar, roubar de seus empregadores ou outras pessoas como uma forma de conseguir dinheiro para continuar jogando.

“Alguns observadores afirmam que existe uma relação direta entre a disponibilidade de jogos de azar em cassinos e o crime do colarinho branco. Alega-se que algumas pessoas gastam demais em cassinos, desenvolvem hábitos de jogo regulares ou compulsivos e roubam de seus empregadores ou de outras pessoas como forma de manter seu jogo contínuo.14 Talvez a fonte mais citada seja o American Insurance Institute, que tem sido disse estimar que 40% de todos os crimes do colarinho branco estão relacionados ao jogo. Essa estatística foi citada por escritores e políticos na argumentação contra o jogo em cassino.15 Mas uma investigação de Joseph Kelly, um professor de negócios, descobriu que o American Insurance Institute não existe e aparentemente nunca existiu. Ele também não encontrou nenhuma base para apoiar a estatística de 40 por cento.16 Como resultado, tem havido muita retórica sobre jogos de casino e crimes do colarinho branco sem muitos fatos e sem dados sistemáticos para apoiar as opiniões expressas. ”

Relatório do UCR do FBI

Um pequeno detalhe desqualifica a opinião do senador. No Relatório do UCR (Uniform Crime Report) do FBI – Federal Bureau of Investigation, sobre ‘Casinos and Crime: An Analysis of the Evidence’ de autoria do Jeremy D. Margolis, publicado em dezembro de 1997 informa:

“Afirmações sem fundamento “Indiscriminadamente tem-se afirmado que Instituto Americano de Seguros (American Insurance Institute – AII) estima que 40% de todos os crimes de colarinho branco são relacionados ao jogo. Esta estimativa tem sido propagada em debates, relatórios direcionados, várias histórias de jornal e recentemente no livro anti-jogo do Robert Goodman. Porém, o fato é que esta estatística não pode ser verificada por um único fator determinante: o Instituto Americano de Seguros não existe.”

Site Problem Gambling

Na pagina ‘Perguntas e Questões Frenquentes‘ do site Problem Gambling, o tema é abordado da seguinte forma:

É verdade que 40% dos crimes do colarinho branco são causados ​​pelo jogo compulsivo?

Resposta: Este número frequentemente citado é atribuído a um estudo do “American Insurance Institute”. No entanto, não existe tal estudo e tal instituto. Um artigo recente da Gaming Law Review do Dr. Joseph Kelly discute as origens e a persistência desse mito em particular.

Somente este fato já desqualifica a opinião expressada pelo artigo do parlamentar.

José Serra, que é acusado de caixa dois, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, não tem credibilidade para criticar a legalização dos jogos, mas achamos oportuno esclarecer as mentiras do parlamentar.

 


14 See Paul Simon, “Gambling Has High Social Costs and Should be Restricted by the Government,” Legalized Gambling: For and Against, ed. R.L. Evans and M. Hance (Chicago: Open Court Publishing, 1998) 201-18; William N. Thompson, Legalized Gambling, second edition (Santa Barbara, Calif.: ABC-CLIO, 1997); John W. Kindt, “The Economic Impacts of Legalized Gambling Activities,” Drake Law Review 43 (1994): 51-95.

15 Simon 212; Robert Goodman, The Luck Business (New York: The Free Press, 1995) 50.

16 Joseph Kelly, “The American Insurance Institute, Like THAT Bunny, Keeps Going and Going and Going..” Gaming Law Review 1 (1997): 209-12.

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