Operação VAR: polícia investiga zagueiro e meio-campista por apostas no Rio

Apostas I 06.07.26

Por: Magno José

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TJD-RJ suspende jogadores da Portuguesa e Nova Iguaçu por um ano por caso de manipulação
Mandados de busca são cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e na sede do Nova Iguaçu; Federação de Futebol fez a denúncia (Fotos Divulgação)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta segunda-feira (6/7) a 3ª fase da Operação VAR, que apura um esquema de manipulação de resultados em partidas da Série B do Campeonato Carioca e lavagem de dinheiro. Dois jogadores foram alvos de mandados de busca e apreensão.

As diligências miraram o zagueiro Luiz Gustavo Lopes dos Santos, atualmente no Olaria, e o meio-campista Sidney de Freitas Pages, o Sidão, hoje no Dibrados F.C., time da Kings League. Ambos atuavam em clubes da Série B à época dos fatos investigados. Até a última atualização do texto-base, Sidão não havia sido localizado pelos agentes.

Os investigadores da Delegacia do Consumidor (Decon) cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços no bairro de Bangu, na Zona Oeste do Rio; no Complexo da Maré, na Zona Norte; e na sede do Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Luiz Gustavo foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. Materiais apreendidos durante as buscas serão analisados para identificar a participação dos envolvidos e a possível existência de outros integrantes do esquema.

Suspeita de cartão combinado

A Polícia Civil investiga Luiz Gustavo pela suspeita de ter recebido um cartão amarelo de forma deliberada durante a partida entre Portuguesa e Nova Iguaçu, disputada em fevereiro deste ano, pela 6ª rodada da primeira fase do Campeonato Carioca, no estádio Luso-Brasileiro. O jogo terminou com vitória da Portuguesa por 1 a 0.

Segundo os investigadores, a advertência teria sido combinada para beneficiar apostadores em plataformas de apostas esportivas. O episódio se enquadra na modalidade conhecida como microaposta, em que os ganhos derivam de ocorrências específicas dentro das partidas, como cartões amarelos, faltas e escanteios, não necessariamente do resultado final.

As investigações tiveram início em 2024, após denúncia da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), que apontou indícios de irregularidades em diversas partidas realizadas no estado.

Punições no TJD-RJ

Em junho, o Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ) já havia suspendido Luiz Gustavo por 365 dias, após concluir que ele atuou de forma deliberada para prejudicar a própria equipe. Sidão, que na época dos fatos defendia o Nova Iguaçu, recebeu punição na mesma decisão. As partes têm direito a recurso.

O mesmo julgamento também puniu dirigentes da Portuguesa. O presidente do clube, Marcelo Gonçalves, foi multado em R$ 5 mil pelo artigo 220-A do regulamento, que trata de obstrução, omissão ou não cooperação com a Justiça Desportiva. O supervisor e ex-jogador Muniz recebeu multa de igual valor pelo mesmo dispositivo.

Após as buscas, Luiz Gustavo publicou um vídeo nas redes sociais negando envolvimento no esquema, mas apagou a gravação em seguida. No registro, o zagueiro afirmou que “a justiça terá que provar que ele cometeu alguma irregularidade” e declarou: “Não tenho culpa se as pessoas apostam em mim.”

Em nota oficial, a Associação Atlética Portuguesa esclareceu que Luiz Gustavo “não possui qualquer vínculo com a Associação Atlética Portuguesa, tendo sido desligado da instituição em fevereiro deste ano, logo após a diretoria tomar conhecimento da existência das investigações em andamento.” O clube informou que, “em razão do processo tramitar sob segredo de Justiça, a Portuguesa optou por não se manifestar publicamente, preservando o sigilo legal e respeitando o trabalho das autoridades competentes.” Assim que as investigações se tornaram públicas, em março, o clube divulgou nota sobre o afastamento e o desligamento do atleta. A Portuguesa afirmou que “sempre atuou com responsabilidade, transparência, ética e respeito às instituições, colaborando desde o primeiro momento com os órgãos competentes e adotando, internamente, todas as providências que lhe cabiam.”

A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e esclarecer o papel de cada suspeito no esquema de manipulação e lavagem de dinheiro.

 


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