Pandemia reduz em 50% as apostas no Euromilhões e raspadinhas em Portugal

Destaque, Loteria I 15.04.20

Por: Elaine Silva

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Esta redução irá provocar marca nas contas das entidades que usufruem dos lucros das apostas, já que o Estado e a SCML recebem anualmente mais de 700 milhões de euros

As receitas dos jogos sociais em Portugal caíram para metade no último mês, desde a declaração do primeiro estado de emergência. O Euromilhões é o mais atingido pelo confinamento social, reforçado com a renovação do estado de exceção, e cujos jackpots não conseguem inverter a tendência de quebra.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que explora os jogos, garante estar tentando aguentar o embate da “crise” no setor – onde mais de metade dos cinco mil pontos de venda poderá já ter fechado as portas.

Esta redução irá provocar marca nas contas das entidades que usufruem dos lucros das apostas, já que o Estado e a SCML recebem anualmente mais de 700 milhões de euros. Em 2018, último ano de que se conhecem dados dessa distribuição, só o Serviço Nacional de Saúde (SNS) recebeu 115,9 milhões de euros.

Desde 13 de março, o Euromilhões está numa queda constante. Naquela data teve quase 1,7 milhões de registros e mais de 61,1 milhões de euros em receitas – no conjunto de nove países europeus que contam com este jogo e onde há medidas de confinamento social.

Na última terça-feira (7), só houve 829 mil bilhetes registrados, no valor de 26,6 milhões. Apesar do jackpot nesse dia, os números não aumentaram como seria normal em outras épocas.

Segundo as estatísticas da SCML, as quedas são transversais aos outros jogos da sorte e azar. Desses, o Milhão é o mais notório, com quase quatro vezes menos apostadores. Já o Totoloto assinala a menor erosão – passou de uma média de um milhão de euros em apostas para cerca de 800 mil por concurso.

Raspadinha afunda

Se o Totobola, devido à suspensão do campeonato nacional de futebol, teve o seu último concurso a 12 de março, já o Placard adaptou-se aos tempos de pandemia, mas sem grande sucesso. Este último jogo, que foi uma das grandes apostas da SCML, passou a ter como base a liga de futebol da Bielorrússia, a única que não foi interrompida. Só que os mediadores admitem que não está a ser atrativo.

“A distância de uma realidade desconhecida, como é o da liga bielorrussa, associada às medidas de isolamento social, fez do Placard uma coisa inexistente”, disse Vasco de Mello, presidente da Associação Nacional de Empresas de Lotaria e Outros Jogos de Aposta, que fala de “quebras brutais”, principalmente nas raspadinhas. “Se não há pessoas a circular, as vendas desapareceram”, disse, ao JN.

Contas vão estar a negro

Ainda assim, disse a SCML, há “um aumento na vertente digital dos vários jogos sociais do Estado, quer através de apostadores antigos que reativaram as suas contas, quer de novos registos na App e no site”. Porém, longe de ter um efeito de substituição, já que os números de apostas estão a cair.

A Fundação Inatel é uma das maiores beneficiadas pelos jogos, com 1,14 % das transferências. Ao JN, o presidente da instituição, Francisco Madelino, disse temer o “impacto no desenvolvimento das atividades”.

“As verbas dos jogos são apenas uma parte da nossa tesouraria, que tem estado a conseguir resistir ao embate. No início do verão é que conseguiremos perceber qual a dimensão dos estragos na nossa atividade”, explicou. (Jornal de Notícias – Nuno Miguel Ropio)


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