Quadrilha de apostas agiu mesmo com sistema de monitoramento de fraudes da CBF

Apostas I 19.05.23

Por: Magno José

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A Confederação Brasileira de Futebol – CBF e Sportradar, contratada desde 2017, não informam se flagraram ou não a ação dos criminosos

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) enviou circular aos 27 presidentes de federações estaduais em fevereiro de 2022 na qual informava a ampliação de contrato com a Sportradar, empresa internacional de tecnologia esportiva, para monitorar as apostas feitas em partidas nacionais.

A companhia é considerada uma das principais no setor de prevenção, detecção e inteligência no combate à manipulação de resultados e proteção a fraudes.

Pouco mais de um ano depois, o futebol brasileiro vive o seu maior escândalo de manipulação de resultados por apostadores desde 2005, quando foi escancarado o que ficou conhecido como “máfia do apito”. Era esquema de apostas ilegais que tinha a participação do árbitro Edílson Pereira de Carvalho.

A Folha entrou em contato com a Sportadar e a CBF para entender por que a companhia, que acompanha apostas em todos os estaduais, torneios nacionais e Brasileiro sub-20 e de aspirantes, não percebeu apostas de altos valores em cartões amarelos, vermelhos e pênaltis cometidos propositalmente em jogos da Série A e B do ano passado, assim como em competições regionais de 2023. Questionou também se a confederação foi informada a respeito da detecção de qualquer problema.

A Sportradar respondeu que, “por conta do contrato de confidencialidade com as entidades e empresas parceiras, dados específicos de jogos, ligas e atletas não são divulgados, até porque, se uma investigação é aberta, as informações ficam sob segredo de Justiça”.

A CBF informou que não comenta “sobre a metodologia utilizada pela Sportradar”. A confederação sugeriu que a reportagem procurasse a empresa para os questionamentos.

“Quando a CBF recebe os dados considerados suspeitos pela Sportradar, estes são encaminhados ao STJD [Superior Tribunal de Justiça Desportiva]”, afirmou a entidade.

Pessoas envolvidas no mercado de apostas disseram à reportagem que a Sportradar e concorrentes que fazem o serviço de monitoramento de apostas procuram, na verdade, mudanças repentinas de padrões. Como, por exemplo, se uma quantidade significativa de pessoas começa a colocar dinheiro em determinadas situações de uma partida de maneira incomum.

O acordo da CBF com a Sportradar, firmado inicialmente em 2017, foi ampliado até 2024. A companhia também presta serviços à Fifa (Federação Internacional de Futebol), à Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) e à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol).

Na divulgação do novo acordo, foi anunciada a utilização do UFDS (Sistema Universal de Detecção de Fraudes) para o monitoramento de mais de 3.000 partidas nas quatro divisões nacionais do país, além da Copa do Brasil e das ligas estaduais.

O valor do contrato entre CBF e Sportradar não foi revelado. (Folha de S.Paulo)

 

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