Setor de atacarejo apresenta a Alckmin propostas contra bets — sobretudo as ilegais — no Brasil

Apostas I 05.05.26

Por: Magno José

Compartilhe:
Alckmin faz reunião sobre bets com Saúde, Fazenda e Justiça e discute veto a cartões de crédito 1
Abaas defende bloqueio de Pix social para CNPJs de apostas e restrição à publicidade de cassino online; associação vendeu R$ 370 bi em 2025 e aponta fragilidade no consumo (Foto: MDICS)

A Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas) apresentou ao vice-presidente Geraldo Alckmin um conjunto de propostas para restringir o avanço das plataformas de apostas online sobre a renda das famílias brasileiras. O encontro aconteceu na tarde de segunda-feira (4/5), em São Paulo. O setor defende que as bets ilegais, ao lado do alto endividamento, comprometem o consumo no país.

Belmiro Gomes, CEO do Assaí e presidente do conselho da Abaas, foi o porta-voz das recomendações. Os membros da associação venderam R$ 370 bilhões em 2025. O setor argumenta que as plataformas de apostas, combinadas com o endividamento elevado, estão entre as principais responsáveis pela fragilidade do consumo. Segundo informações da Coluna Capital do Globo Online, o documento apresentado ao vice-presidente recebeu o título “A roda da economia está travando — hoje no consumo e no endividamento das famílias. Amanhã, na economia inteira.”

Além de Belmiro Gomes, participaram da reunião Renato Costa, presidente da Friboi, e Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), conforme a agenda oficial de Alckmin.

Divisão do consumo e economia paralela

Os atacadistas defendem que o consumo brasileiro passou por uma divisão. A apresentação afirma que “o consumo se partiu em dois”, com expansão dos canais voltados à alta renda e retração dos canais da classe C. O setor denomina esse fenômeno de “efeito K”.

O material indica que o Brasil concentrou mais de um quinto do tráfego mundial para sites de aposta. A apresentação afirma que “métricas oficiais convivem com uma economia paralela cujo tamanho é subestimado.”

Propostas de curto e longo prazo

O conjunto de propostas do setor de atacarejo a Alckmin foi dividido em dois períodos. O primeiro é um “horizonte imediato”, com prazo de 12 meses. O segundo é um “horizonte estrutural”, de cinco a dez anos.

Para o período imediato, o setor propõe “quatro vetores de bloqueio integrados” contra bets ilegais. As medidas abrangem URL, Pix, publicidade e patrocínio cruzado. Os atacadistas pedem “restrição firme à publicidade de cassino online, sem afetar quota fixa esportiva regulada”, para preservar clubes. O setor sugere o bloqueio do Pix social para CNPJs de bets.

Para o longo prazo, os atacadistas defenderam uma “política de Estado nos moldes do tabaco”. O setor afirma que essa abordagem “reduziu o tabagismo em 74% sem proibir o cigarro” no Brasil ao longo de 35 anos. O setor de atacarejo pede que as bets fiquem sob responsabilidade do Ministério da Saúde. As plataformas devem ser tratadas como “política sanitária”, com “linguagem clínica, foco no dano à família, sem moralismo” e “tratamento de ludopatia via SUS.”

 


Compartilhe: