Executivos de apostas debatem desafios do setor no Rio Innovation Week

Líderes do mercado de apostas esportivas e jogos online debateram os principais desafios e oportunidades do setor no Brasil durante a quinta edição do Rio Innovation Week. O evento ocorreu nesta sexta-feira (15) no “Galpão Kobra”, localizado no Píer Mauá, Rio de Janeiro, abordando temas como integridade nas competições, avanços tecnológicos e o cenário regulatório brasileiro.
A 5ª edição do Rio Innovation Week aconteceu entre 12 e 15 de agosto de 2025, bateu as expectativas de público: 205 mil pessoas circularam pelos 90 mil metros quadrados do evento durante os quatro dias. Os debates sobre o mercado de apostas foram realizados no Palco Sport Tech by Lance!, localizado no 2º piso do Galpão Kobra.
O painel “Inovações e transformações no universo das Bets” reuniu executivos de diversas empresas, incluindo Alex Fonseca da Superbet, Ana Paula Castello Branco da BetMGM, Felipe Fraga da EstrelaBet, Arthur Silva da Alfa Bet e Guilherme Guimarães do Lance!.
Felipe Fraga afirmou que apenas a exposição de marca em uniformes esportivos não garante mais visibilidade no atual mercado competitivo. O executivo da EstrelaBet destacou que o consumidor brasileiro busca rapidez e eficiência, o que impulsiona o desenvolvimento de tecnologias que atendam às exigências regulatórias sem prejudicar a experiência do usuário.
Entre os desafios operacionais, Fraga mencionou a lentidão nos processos de verificação facial durante o cadastro e o volume de demanda no Brasil, que foi maior que o esperado pelos prestadores de serviços. A EstrelaBet está criando lojas virtuais para que os clientes possam conhecer novas modalidades de apostas e implementando sistemas para identificar comportamentos problemáticos.
Ana Paula Castello Branco disse que a BetMGM utiliza recursos tecnológicos para estabelecer limites de apostas e identificar comportamentos de risco. “Temos o sentimento de entretenimento de Las Vegas”, declarou a executiva, que traz para o Brasil mais de três décadas de experiência internacional da empresa.

A inteligência artificial se tornou ferramenta essencial nas operações das casas de apostas, permitindo monitorar comportamentos suspeitos que possam indicar manipulação. Castello Branco destacou como vantagem o fato da BetMGM ser simultaneamente global e local, adaptando estratégias internacionais ao contexto brasileiro.
Alex Fonseca, CEO da Superbet, comparou o mercado brasileiro com o europeu. “Na Europa tem 50 milhões e no Brasil tem 4 países”, afirmou, referindo-se às dimensões continentais do Brasil com seus 220 milhões de habitantes. Ele enfatizou a necessidade de velocidade para atender o hábito brasileiro de apostas múltiplas.
A Superbet investe em tecnologia para criar um ambiente seguro tanto para operadores quanto para apostadores, com serviços de identificação de usuários com risco de desenvolver comportamentos compulsivos. Fonseca alertou que as casas de apostas são as principais prejudicadas por manipuladores e destacou como a IA proporciona agilidade na identificação de movimentações atípicas.
Um dos principais riscos apontados pelo CEO da Superbet é o aumento da carga tributária, que poderia chegar a 42%, representando um crescimento de 50% na tributação atual. Segundo ele, caso as operações legais sejam inviabilizadas, os apostadores migrariam para plataformas ilegais, que ainda representam aproximadamente metade do mercado brasileiro.
Arthur Silva apresentou a Alfa Bet como uma nova operadora em um mercado promissor devido à recente regulação. Ele destacou a importância do acesso aos dados pelo regulador e afirmou que até o final do ano essas informações estarão disponíveis. “Temos tudo no Brasil para fazer o que há de mais moderno”, disse Silva.
Arthur Silva da Alfa Bet fez uma comparação sobre o nível de controles necessários: “Casa de apostas hoje no Brasil tem mais trabalho que o Itaú de tantos controles que necessários”. O executivo prevê que em dois ou três anos o Brasil terá “um dos mercados mais saudáveis do mundo”, desde que encontre o equilíbrio entre legalização, regulação e controle efetivo.
O mercado brasileiro de apostas esportivas foi legalizado em 2018, mas permaneceu sem regulamentação efetiva por seis anos. A partir de janeiro de 2025, o novo cenário regulamentado entrou em vigor. Atualmente, 80 empresas e 180 marcas solicitaram licenças oficiais junto ao Ministério da Fazenda.

“Tributação, ludopatia e mercado ilegal”
O terceiro painel, “Tributação, ludopatia e mercado ilegal”, aconteceu às 17h e abordou questões relacionadas às políticas tributárias e seus impactos. Participaram também Plinio Jorge, André Uchoa, Diretor técnico do Instituto de Proteção ao Jogador (IPJ), e Magno José Santos de Sousa, Editor BNLData e Presidente do Instituto Jogo Legal.
Plinio Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), alertou sobre a mobilização de diversos setores da sociedade contra as apostas esportivas. Segundo ele, alguns grupos estão construindo narrativas equivocadas que demonizam o setor.

Martin Lycka, especialista em regulação de apostas e jogo responsável, analisou as possíveis consequências de uma proibição da publicidade para plataformas de apostas.
André Uchoa discutiu a questão da ludopatia como um dos principais problemas enfrentados pelo setor. Ele destacou o papel dos influenciadores na divulgação das plataformas durante o período sem regulamentação efetiva.
Os especialistas concordaram que o principal desafio para o setor é garantir a proteção dos apostadores enquanto se combate o mercado ilegal que ainda detém parcela significativa das operações no país.

“Integridade em jogo – Impactos e ferramentas”
Além do painel sobre inovações, o evento também contou com outras duas discussões importantes. O primeiro painel, “Integridade em jogo – Impactos e ferramentas”, abordou as responsabilidades relacionadas ao crescimento das apostas esportivas no Brasil, com foco na proteção da integridade das competições. Martin Lycka, especialista em regulação de bets, Paulo Ganime, CEO do Lance!, e Elisabete Lima, Head de Comunicação da Sportsradar, participaram deste debate.
“A aposta esportiva sempre existiu, com a Caixa e a Loterj, aqui no Rio. E a gente está modernizando esse mercado com a chegada das bets, com uma regulamentação recente, que passa por evoluções e por entender o mercado”, conta Paulo Ganime.
De acordo com o CEO do Lance!, o tema apresentado no painel estimula um amplo debate:
“O fato de que mais de 60% estão no mercado informal requer uma reflexão sobre o modelo e não contra a regulamentação, o que as casas de apostas precisam evoluir para atender ao mercado, que é novo, está funcionando e está em evolução”.
Paulo Ganime também destacou um avanço nessa área:
“O Martin disse que saímos de 100% do mercado informal para 40% do mercado formal. O Martin também contou que o ideal é chegar aos 80%, e o mundo ideal seria 100%. Em pouco mais de sete meses, já é um grande avanço. E no final eles falaram dos próximos passos no mercado como um todo, desde o governo até as apostas”.
Elisabete falou sobre os casos de manipulações de resultados. “A manipulação de resultados causa um enorme dano à imagem do jogador envolvido. O crime reflete negativamente não só sobre ele, mas também sobre o clube, a liga e o esporte, afetando negativamente toda a estrutura do esporte”, disse.
A head de Comunicação da Sportsradar citou o caso do Campeonato Italiano:
“(Manipulação) É muito ruim para a liga, clube e patrocinadores. O futebol italiano era o mais amado, quando só tinha a TV aberta. Os muitos casos de corrupção que derrubaram clubes como o Juventus reduziram esse interesse”.
Além dos debates sobre apostas, a arena sediou 32 painéis com aproximadamente 70 palestrantes durante o evento. As discussões abordaram temas fundamentais para o desenvolvimento da cidade, consolidando o Rio Innovation Week como um espaço importante para discussões sobre inovação e tecnologia.

