Mercado de apostas no Brasil movimenta R$ 38 bilhões com 30% em sites não licenciados

Apostas, Feiras I 19.01.26

Por: Magno José

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Mercado de apostas no Brasil movimenta R$ 38 bilhões com 30% em sites não licenciados
Estudo da H2 Gambling Capital apresentado na Casa Brasil durante a ICE Barcelona revela que apostadores têm dificuldade para identificar plataformas regulamentadas, com apenas 3% preferindo operadores irregulares

O mercado brasileiro de jogos e apostas licenciadas gera faturamento anual de R$ 38 bilhões, enquanto cerca de 30% das transações ocorrem em plataformas não regulamentadas. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (19/1) durante apresentação realizada na Casa Brasil, evento paralelo à ICE Barcelona. Os dados fazem parte de um estudo conduzido pela consultoria H2 Gambling Capital.

Ed Birkin, Managing Director da H2 Gambling Capital, apresentou um diagnóstico detalhado do setor no país, incluindo o comportamento dos apostadores e os desafios regulatórios. O levantamento mostra que o Gross Gaming Revenue (GGR) do segmento licenciado sofre variações mensais de acordo com promoções sazonais e eventos esportivos.

A apresentação, intitulada “Mercado Brasileiro de Apostas: Tamanho, Comportamento e Desafios Regulatórios”, foi um dos destaques da programação da Casa Brasil, que reuniu autoridades, especialistas e representantes da indústria para discutir o futuro do setor no país.

Comportamento dos apostadores brasileiros

A pesquisa realizada com 3.500 apostadores brasileiros revelou que 60% dos participantes se preocupam em utilizar apenas sites licenciados. No entanto, 30% dos entrevistados não sabem como verificar se uma plataforma possui licença válida, enquanto 20% se mostram indiferentes à questão, preferindo sites que oferecem melhores bônus.

Apenas 3% dos apostadores consultados declararam preferência por operadores irregulares.

Para mensurar o tamanho do mercado não regulamentado, a consultoria utilizou três fontes de dados diferentes. A metodologia combinou pesquisas com apostadores (que indicam 21% dos gastos fora do sistema formal), análise de transações PIX do Banco Central (mostrando aproximadamente 30% dos pagamentos direcionados a sites sem licença) e métricas de tráfego na internet.

O cruzamento dessas informações resultou na estimativa de que o mercado não regulado movimenta cerca de R$ 15 bilhões em GGR por ano, representando quase um terço do faturamento total do setor no Brasil.

Comparações internacionais e riscos regulatórios

Birkin explicou que percepções sobre participação “offshore” em níveis de 40%, 50% ou até 90% refletem principalmente as dificuldades metodológicas para medir atividades irregulares. Uma variação de apenas 10 pontos percentuais nessas estimativas pode impactar centenas de bilhões de reais em receita implícita, complicando discussões sobre tributação, publicidade e limites de depósito.

Na análise comparativa internacional, mercados maduros como Reino Unido, Itália e Austrália mantêm entre 60% e 85% das operações em canais regulamentados, mesmo com cargas tributárias elevadas e restrições operacionais significativas.

“O Brasil tem taxa efetiva de imposto similar à Austrália, cobertura completa de produtos (cassino e esportes) e mais de 70 operadores licenciados. Logo, esperar apenas 25% de legalização seria inverossímil”, observou Birkin.

O estudo apresenta o caso da Holanda como alerta sobre possíveis consequências de medidas regulatórias muito restritivas. Após implementar regras mais rígidas para publicidade e limites de apostas, o país europeu viu a participação do mercado regulamentado cair de 69% para aproximadamente 50%, aumentando as operações irregulares.

Birkin destacou que, mesmo no cenário mais conservador onde o mercado ilegal representasse “só” 27% do total, isso ainda significaria um volume anual de R$ 15 bilhões – valor expressivo que dificilmente poderia ser atribuído apenas a operadores sem marcas estabelecidas fora do sistema regulamentado.

A H2 Gambling Capital é reconhecida como uma das principais consultorias especializadas em análise de dados do setor de jogos e apostas, fornecendo insights estratégicos para operadores, reguladores e investidores em mais de 160 países. O estudo apresentado na Casa Brasil é considerado um dos mais abrangentes já realizados sobre o mercado brasileiro de apostas, combinando múltiplas fontes de dados para oferecer uma visão precisa do cenário atual.

 

 

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