Associação de Hotéis de Macau duvida do crescimento da taxa de ocupação hoteleira

Cassino I 07.12.20

Por: Magno José

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Segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), houve um crescimento da taxa de ocupação hoteleira de Macau em outubro, correspondente a 168,1%, comparativamente ao mês anterior

 

“Não esperávamos tal aumento. Esperávamos bons números, mas não esperávamos estes valores elevados, e falando francamente, duvido um pouco sobre esses números, se esses quartos estiveram realmente ocupados por turistas, ou se de facto estão reservados por empresas relacionadas com casinos, como os ‘junkets’, por exemplo”, assinala o presidente da Associação de Hotéis de Macau, Rutger Verschuren. No entanto, o holandês radicado em Macau também acrescenta que o território tem realmente tido um número diário de visitantes na ordem de 20 a 30 mil, sendo que muitos dos visitantes não pernoitam, excedendo os 50% a 70%. “O que nós questionamos é como é feita essa avaliação. Penso que a dúvida tem a ver com a natureza dos hotéis que foram avaliados na estatística”, alertou.

Rutger Verschuren explica que há que sublinhar a diferença entre os hotéis que prosperam no negócio dos casinos e nos jogadores, e nos outros hotéis que acolhem realmente os turistas, e reitera que esta é uma consideração que se deve ter em conta. “A que ritmo estão os quartos a ser vendidos ou cedidos (pelos ‘junkets’ em troca de os clientes virem jogar)?”, questionou.

O presidente da Associação de Hotéis de Macau considera que é um momento extremamente difícil para todos os hotéis e que há uma guerra de tarifas a dois níveis, uma do ponto de vista geral dos hotéis, e a outra é a “batalha” entre as concessionárias, que para conseguirem obter um maior número de jogadores utilizam todas as facilidades que têm como “munições” para fazer crescer o seu negócio, tal como oferecer quartos de borla em troca de as pessoas jogarem no casino. “Penso que isso é obviamente esperado e já é muito natural, mas infelizmente distorce muito os números ou as estatísticas reais”, alertou.

Quando questionado sobre se as expectativas de voltar à normalidade são as mesmas em comparação com há dois meses, Verschuren explica que “há dois ou três meses pensávamos que a Semana Dourada seria muito melhor, o que acabou por ser decepcionante. Mas depois, as duas semanas após a Semana Dourada correram melhor do que antecipámos. Com isto, conseguimos ver que houve um aproveitamento e isso deixou-nos optimistas”.

O presidente da Associação de Hotéis menciona também que não quer ver 100 mil visitantes por dia nesta altura porque isso iria criar um risco muito elevado de o vírus se voltar a desenvolver em Macau. “Temos de ser pacientes em vez de tentarmos ser mesquinhos e perdermos o negócio a longo prazo”, sublinhou, considerando que Macau tem de voltar a crescer “passo a passo”, colocando sempre a segurança dos cidadãos em primeiro plano. Desta forma, aproveitou para deixar um apelo ao Governo para que estenda a isenção de certas taxas, ou pelo menos que ofereça subsídios e que não aumente os impostos governamentais nos próximos seis meses. “Isso seria uma grande ajuda para o nosso sector”, frisou.

O holandês disse também que o futuro é uma espécie de incerteza neste momento. “Não sabemos realmente o que planear. Durante vários meses planeámos pensando que as coisas iriam melhorar consideravelmente em Outubro e em Novembro, mas a situação é que ainda está tudo a decorrer muito lentamente e vemos essa tendência a ficar até pelo menos ao Ano Novo Chinês. Portanto, em termos de planeamento, o truque é que não podemos planear,” disse, entre sorrisos.

Contratações congeladas

Rutger Verschuren adianta que, neste momento, o sector tem de considerar a contratação de mais pessoal, mas pensa que a maioria dos hotéis está provavelmente a congelar as contratações, e acrescenta que “se isto crescer subitamente e demasiado depressa, haverá falta de mão-de-obra, principalmente nos trabalhos operacionais”, como recepcionistas, pessoal da restauração e da limpeza e que trabalham sobretudo por turnos. Por isso, Verschuren reitera um novo apelo ao Governo em nome da associação que preside para que aceite um estatuto de “multiqualificações” para a mão-de-obra não qualificada.

O presidente da Associação de Hotéis perspectiva que Macau irá reviver outra ronda de ‘staycations’, relembrando que janeiro é tradicionalmente um mês muito fraco para o sector. E sem a confirmação das celebrações de Ano Novo Chinês, “penso que janeiro vai ser muito duro para o sector”.

De acordo com as estatísticas oficiais do Governo, o regresso dos vistos individuais em setembro e as festividades da Semana Dourada contribuíram para o crescimento da taxa de ocupação hoteleira de Macau no mês passado, com o número de hóspedes do continente a registar um aumento de 168,1% em outubro face aos números do mês anterior. (Ponto Final – Joana Chantre)

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