Apostadores no Brasil atrasam contas e cortam gastos para manter bets

Apostas I 08.09.26

Por: Magno José

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Estudo ‘Pulso|Apostas 2026’ da Hibou, com 2.470 pessoas, mostra que quase 6 em cada 10 cortaram gastos para bancar apostas

Mais da metade dos brasileiros que apostam em plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, já deixou de pagar uma conta em dia para continuar apostando. O dado é da pesquisa Pulso | Apostas 2026, realizada pelo instituto Hibou entre os dias 28 e 31 de agosto de 2026, com 2.470 respondentes maiores de 18 anos das classes A, B, C e D, de todo o país.

O levantamento mostra que 38% dos brasileiros afirmam apostar em bets. Entre esse grupo, 53% admitem ter atrasado alguma conta para apostar: 28% relatam que isso aconteceu “algumas vezes” e 25%, ao menos uma vez. Apenas 21% afirmam nunca ter passado por essa situação. A margem de erro da pesquisa é de 1,9 ponto percentual.

O comprometimento financeiro vai além do atraso de contas. Quase seis em cada dez apostadores, 59%, já cortaram gastos domésticos para bancar as apostas: 45% dizem ter reduzido compras para casa “algumas vezes” e 14%, ao menos uma vez. Outros 38% afirmam nunca ter precisado fazer esse tipo de corte.

Rotina de apostas

A frequência com que os brasileiros apostam revela um comportamento consolidado. Segundo o levantamento da Hibou, 39% apostam algumas vezes por mês, 22% uma vez por semana e 11% várias vezes por semana. Apenas 20% dizem apostar raramente, restringindo o hábito a eventos especiais.

O hábito também não é recente para boa parte do público. Entre os apostadores, 26% praticam apostas há mais de cinco anos e 13% entre dois e cinco anos. Outros 24% apostam entre um e dois anos, 18% entre seis meses e um ano, e 19% começaram há menos de seis meses.

“Não estamos falando mais de um comportamento esporádico ligado a grandes eventos, mas de um hábito recorrente, quase parte da rotina financeira das famílias, e isso é o que mais chama atenção do ponto de vista de consumo”, declarou Ligia Mello, CSO da Hibou.

Motivações e perfil do apostador

A possibilidade de ganhar dinheiro é a principal motivação declarada, citada por 47% dos apostadores. Diversão e entretenimento vêm na sequência, com 42%, seguidos pela busca de mais emoção ao acompanhar os jogos, com 33%. A influência de amigos ou do grupo social responde por 22% das motivações, enquanto o desejo de transformar conhecimento esportivo em renda motiva 20%. Bônus e promoções das casas de apostas aparecem como fator residual, mencionados por apenas 4%.

Apesar da frequência das apostas, a maioria dos apostadores não se enxerga como especialista. Segundo a pesquisa, 46% se classificam como “casuais”, apostando por intuição ou diversão, sem metodologia definida. Outros 30% afirmam ainda estar descobrindo seu próprio perfil. Apenas 18% se identificam como “punters” e 6% como “traders”, que monitoram variações de odds e ajustam apostas durante as partidas.

Na escolha da plataforma, reputação e confiança lideram os critérios, apontados por 44% dos apostadores. A recomendação de amigos ou familiares influencia 38%, a facilidade de uso da plataforma, 31%, e bônus e promoções, 30%. Casas conhecidas internacionalmente pesam para 25% do público, e as odds oferecidas, para 17%. O patrocínio ao time do coração influencia 8% das escolhas.

Risco reconhecido, comportamento mantido

A consciência sobre o potencial de dependência é elevada: 80% dos apostadores concordam ou concordam totalmente que as bets podem se tornar um vício, sendo 49% que concordam e 31% que concordam totalmente. Apenas 9% discordam dessa percepção.

Ainda assim, o reconhecimento do risco não se traduz em mudança de comportamento. Questionados diretamente sobre perda de controle, 15% dos apostadores afirmam já ter sentido que as apostas impactavam negativamente sua vida financeira ou emocional: 6% dizem que isso ocorre “frequentemente” e 9%, “algumas vezes”. Outros 23% relatam que isso aconteceu raramente, e 56% afirmam nunca ter tido essa percepção.

“Existe uma contradição interessante no comportamento do apostador brasileiro; ele reconhece o risco de vício, mas isso não necessariamente altera sua rotina de apostas. Esse é um sinal de que a percepção de risco, sozinha, não é suficiente para mudar o comportamento de consumo. É preciso pensar em mecanismos de proteção financeira e emocional junto com esse público”, declarou Mello.

Metodologia

O levantamento Pulso | Apostas 2026 foi realizado pela Hibou Pesquisas & Insights entre os dias 28 e 31 de agosto de 2026, por meio de painel digital, com 2.470 respondentes de todo o Brasil, maiores de 18 anos, das classes ABCD. A margem de erro é de 1,9 ponto porcentual.


Confira a pesquisa Pulso | Apostas agosto 2026


 

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