Apresentadores da Record se revoltam com falta de cachê em programa de sorteios

Cientes de que a Record irá lucrar com o programa, os apresentadores descontentes usaram como exemplo as emissoras concorrentes

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Sabrina Sato, Rodrigo Faro e Ana Hickmann foram convocados para gravar comerciais do Mundo Record

 

Apresentadores da Record se revoltaram com o novo pedido da direção. Convocados a serem garotos-propaganda do Mundo Record, programa de assinatura que promove sorteios de prêmios, eles foram informados de suas agendas de gravações para os anúncios que serão exibidos nos intervalos comerciais da emissora. O balde de água fria veio quando descobriram que não ganhariam nenhum cachê pelo trabalho.

Para atrair o maior número possível de assinantes, a Record usou suas principais armas do entretenimento e do jornalismo, e escalou Ana Hickmann, Celso Zucatelli, Cesar Filho, Luiz Bacci, Marcos Mion, Renata Alves, Rodrigo Faro, Sabrina Sato e Ticiane Pinheiro. Alguns foram notificados pessoalmente, e outros por videoconferências.

O Notícias da TV apurou que parte dos artistas escalados vê o trabalho como uma ação comercial, e não institucional, já que o Mundo Record tem o claro objetivo de aumentar o faturamento da emissora, e a função do elenco é usar de sua imagem e credibilidade para fazer a audiência abrir a carteira.

No programa, o assinante paga uma taxa semanal de R$ 4,99 para ter acesso ao portal Mundo Record, um site interativo que tem enquetes e vídeos, mas sua principal atração são os sorteios diários, que vão desde smartphones a carros zero-quilômetro.

Esse programa só se tornou possível graças à lei federal 5.768, de 1971, regulamentada pelo decreto 70.951, de 1972. A novidade é que a Medida Provisória 923, publicada por Jair Bolsonaro em 3 de março, diz que as “redes nacionais de TV aberta” estão autorizadas a realizarem sorteios próprios, algo que até então só era permitido fazer por meio de terceiros.

A medida foi articulada por RedeTV!, Record e SBT, aliadas do presidente da República. O político liberou as promoções com o objetivo de uma criar uma nova fonte de receitas para as emissoras, que vêm registrando consecutivas quedas de faturamento desde 2015.

Cientes de que a Record irá lucrar com o programa, os apresentadores descontentes usaram como exemplo as emissoras concorrentes, como o SBT, que desde 1991 tem a Tele Sena, título de capitalização administrado pela empresa do ramo financeiro do Grupo Silvio Santos.

Todos os meses a Tele Sena contrata um artista para encabeçar suas campanhas, e muitas delas já foram protagonizadas por profissionais da concorrência, incluindo nomes do elenco da Record, que são muito bem remunerados pelo trabalho. Quando a empresa recorre a uma solução caseira e escala um artista do próprio SBT, eles também ganham bonificações.

Essa era a expectativa de boa parte dos selecionados para o Mundo Record. Em uma das reuniões, uma das apresentadoras tentou fugir do trabalho extra, alegando agenda cheia para a data em que foi escalada para gravar os anúncios, mas não conseguiu escapar. A emissora ofereceu um leque de outras datas para que ela pudesse escolher e emprestar sua imagem para a ação comercial.

A reportagem conversou com apresentadores da Record, que confirmaram as informações mediante anonimato. Já a emissora, procurada para comentar sobre a insatisfação por parte de seus funcionários, não respondeu até a publicação deste texto. (Notícia da TV – Gabriel Perline)

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