Eduardo Moreira critica apostas e foge de imposto que defendia publicamente

O Instituto Conhecimento Liberta (ICL), organização do empresário, comunicador e ex-banqueiro Eduardo Moreira, um dos críticos mais ativos das plataformas de apostas esportivas no Brasil, enfrenta uma crise de reputação após a revelação de que antecipou a distribuição de lucros milionários para escapar da tributação sobre dividendos que ele mesmo defendia publicamente. A operação, admitida pelo próprio empresário em vídeo publicado no Instagram, expôs uma contradição entre o discurso e a prática do criador do ICL, registra reportagem da Gazeta do Povo.
A antecipação envolveu a distribuição de lucros referentes aos anos de 2024 e 2025, com total estimado em R$ 43 milhões. Do montante, aproximadamente R$ 25,1 milhões teriam sido destinados ao próprio Moreira. A movimentação ocorreu antes da entrada em vigor da Lei 15.270/2025, que estabelece alíquota de 10% sobre lucros e dividendos superiores a R$ 50 mil por beneficiário a partir de janeiro de 2026, e que voltou a tributar dividendos no Brasil após três décadas de isenção.
Demissões expõem desequilíbrio financeiro
A crise ganhou visibilidade após uma onda de demissões no ICL que atingiu o diretor de jornalismo da instituição, Leandro Demori, além de repórteres, apresentadores e membros da administração. Moreira justificou os cortes pelo crescimento acelerado dos custos da operação jornalística: R$ 8 milhões em 2024, R$ 14 milhões em 2025, com projeção de chegar a R$ 22 milhões em 2026, segundo declaração do próprio empresário.
O ICL funciona como plataforma de educação por assinatura, com cursos que vão de finanças e marketing digital a palestras de nomes como Leonardo Boff, Marilena Chauí, Jandira Feghali e Márcia Tiburi. As receitas dessas assinaturas financiam também as produções jornalísticas da instituição.
A contradição entre discurso e prática
Ao longo de anos, Moreira construiu sua imagem pública como defensor da tributação de lucros e dividendos, argumentando que o Brasil onera excessivamente o consumo enquanto poupa a renda dos mais ricos. Num vídeo publicado em seu perfil no Instagram, porém, o empresário admitiu ter antecipado a distribuição exatamente para não ser alcançado pela cobrança que defendia.
“O caixa da empresa foi distribuído todo no ano passado para os sócios, porque teve uma mudança tributária no país, que passou, corretamente, a gente sempre defendeu isso, a tributar os dividendos. Então a gente precisou fazer isso para não pagar indevidamente mais de 5 milhões de reais em impostos e tributos”, afirmou Moreira no vídeo.
Ao usar o termo “pagar indevidamente”, o empresário qualificou como irregular um imposto que, em seu discurso público, descrevia como legítimo e necessário. A operação em si não configura ilegalidade, já que a legislação brasileira permite esse tipo de antecipação; empresas tinham até 31 de dezembro de 2025 para aprovar a distribuição de juros e dividendos com isenção, podendo efetivar o pagamento até 2028.
Sobre os compromissos financeiros futuros, Moreira disse que os valores antecipados servirão para cobrir obrigações já assumidas pelo instituto. “Os sócios que continuam na empresa vão usar esse dinheiro que foi distribuído para pagar esses custos dos próximos anos. Os que saíram vão ficar com esse dinheiro, que já foi recebido e embolsado por eles”, declarou.
‘Turma da Jogatina’: Overdose de desconfiança…
No vídeo postado no Instagram, Moreira com uma imagem de derrotado devido a repercussão dos últimos fatos, diz que a entidade lutou contra a turma mais perigosa do país e cita as bets. “A gente lutou lutas contra a turma mais perigosa do país, as Bets, as Fatais Models, os Ciro Nogueiras da vida. A gente fez documentários que até hoje são documentários que viraram referência”, disse.
O episódio repercutiu entre representantes do segmento de apostas esportivas, um dos alvos recorrentes das críticas de Moreira. O editor do BNLData, portal especializado no setor, publicou nota em que conectou a crise do ICL ao histórico de declarações do empresário contra as bets.
As bets são regulamentadas pelo Congresso Nacional e pelo governo federal, mas enfrentam críticas sistemáticas do empresário, que as associa ao endividamento das famílias brasileiras.
“O ex-banqueiro arrependido Eduardo Moreira, CEO ICL e ICL Notícias, que insiste dia sim, outro também na estratégia de demonizar as bets e criar a narrativa que as plataformas de apostas esportivas são responsáveis pelo endividamento da sociedade e por todos os males que o país atravessa se viu de frente com uma de suas maiores crises de reputação e credibilidade”, escreveu o editor, que assinou o texto com a expressão “Turma da Jogatina”. “Não me canso de repetir… o tempo tem sido um aliado para que o setor assista à desmoralização e às derrotas desses atores sociais e políticos”, completou.
Não me canso de repetir: até onde vai a credibilidade destes indivíduos que vivem demonizando e profetizando contra o setor de apostas?
Vocês sabem: eu desconfio de todos!!!


