Fanáticos por bingos viajam para fora do PR para jogar.

Bingo I 09.06.03

Por: sync

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Irene não esquece o dia em que sua rotina mudou: 12 de abril deste ano. Desde lá, quando o governo decretou o fechamento de todas as casas de bingo do Paraná, a dona-de-casa teve de arranjar outro modo de passar o tempo e de matar a sua vontade de jogar. "Fico no computador, jogando paciência, faço outras coisas, mas continuo com vontade de ir ao bingo", diz ela, que não quis ser identificada.Histórias como a de dona Irene são comuns desde que os bingos foram fechados. Uma pequena multidão de curitibanos se acostumou a passar parte de seus dias marcando cartelas em casas de jogos. Outros chegaram a ficar viciados no jogo.Agora, estão sendo obrigados a mudar de hábitos ou procurar outras maneiras de se divertir.
Uma das soluções encontradas pelos bingueiros é sair do estado, em excursões fechadas apenas para fanáticos pelo jogo. Todos os sábados, vans saem de Curitiba com direção a Joinville e Blumenau, em Santa Catarina, onde os bingos permanecem funcionando. A volta, com mais duas horas de viagem, é no fim da noite, sem parada para dormir. Na AFM, uma das agências que fornece o serviço, a excursão custa R$ 28,00. "Já levávamos o pessoal para Joinville. Com a proibição do jogo aqui no estado, passamos a usar esse fator como mais um atrativo para as excursões", afirma José Ronaldo Cardoso, gerente de tráfego da empresa.Em busca do jogo, há quem arrisque viagens bem mais longas e caras. Dona Maria José é um exemplo. Freqüentadora usual dos bingos, ela conta que desde o fechamento das casas foi duas vezes à Argentina para jogar em cassinos. A distância não é o problema. "Vou de avião", conta ela, que prefere o anonimato. Pelo prazer de um bom jogo, ela já foi ainda mais longe. "Fui umas quatro vezes a cassinos em Las Vegas, nos Estados Unidos."Dona Maria José foi encontrada em frente à Igreja Imaculado Coração de Maria, na Praça Ouvidor Pardinho, durante a realização de um bingo beneficente. Lá, dezenas de outras ex-freqüentadoras de bingos comerciais aproveitavam a chance de retomar seu passatempo favorito – e ainda colaborar com entidades filantrópicas. As irmãs Santina Sueke e Maria Ribeiro também foram à igreja para matar as saudades do jogo. As duas já souberam das excursões a Joinville, porém nunca se arriscarama ir até lá. "Mas que faz falta o bingo, isso faz", diz Santina.

Jogo é proibido desde 1946.

A liberação dos bingos, seguida de sua proibição, faz parte da tumultuada história dos jogos no Brasil. Desde 1946, quando o então presidente Eurico Gaspar Dutra mandou fechar os cassinos, jogos de azar são proibidos no Brasil. A única exceção são as loterias promovidas pelo governo federal e pelos governos municipais.
Os jogos que permenecem existindo, como o do bicho, são contravenções penais. Em 1993, porém, a chamada Lei Zico autorizou o funcionamento do bingos, regulamentado em 1998 pela Lei Pelé. O objetivo era arrecadar verbas para atividades e entidades esportivas. Em 2000, porém, o governo federal decidiu acabar com os bingos e deu licença para seu funcionamento até 31 de dezembro de 2002. Em abril deste ano, o governador Roberto Requião anulou o decreto estadual que permitia que as casas de jogos continuassem abertas.

Gazeta do Povo (PR) – Rogério Waldrigues Galindo


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