Flamengo terá que responder por marketing de emboscada na Libertadores

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Post de rede social do Flamengo usado pela Conmebol em procedimento aberto

O Tribunal de Disciplina da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) abriu procedimento contra o Flamengo para apurar o uso da marca de patrocinadores do clube em posts relacionados à Libertadores nas redes sociais. O clube tem até a próxima quarta-feira (5) para enviar a defesa. Procurado, até o momento o clube não informou se já enviou o documento e qual será a argumentação.

O regulamento da competição proíbe isso, o que no artigo 6.3.3 trata sobre “marketing de emboscada”. Não é permitido associar parceiros dos clubes em qualquer menção aos torneios da Conmebol, principalmente aquelas empresas que operam em segmentos idênticos, o que ocorreu nos posts incluídos no processo aberto ao qual a coluna teve acesso.

Os três posts denunciados foram relacionados à estreia do Flamengo na Libertadores, dia 20 de abril:

1) No Twitter, o clube disse que faria sua estreia fora de casa, contra o Velez Sarsfield, e recomendou aos torcedores que abrissem sua conta no Sportsbet.io, de apostas online, um de seus parceiros. Apesar de não haver símbolos oficiais da Conmebol e da Libertadores, em destaque o post colocava “Dia de Liberta”, com a data e o horário de início da partida;

2) No Instagram se repetiu esse post, com pedido para abrir a conta no patrocinador e o “Dia de Liberta” em destaque;

3) Também no Instagram, a marca de outro patrocinador, o BRB (Banco de Brasília), aparece em post relacionado à Libertadores: a imagem de alguns jogadores se abraçando com a frase “primeiro passo para um grande sonho”. Logo embaixo um botão direcionava para mais detalhes, bem acima da logomarca do parceiro.

A Conmebol tem dez patrocinadores para a Libertadores, dois deles dos mesmos segmentos que os parceiros expostos pelo Flamengo em suas redes sociais: o Betfair (de apostas online) e o Santander (banco).

Como mostrou o jornalista Rodrigo Mattos em seu blog, a proibição da Conmebol de que se possa usar patrocinadores em posts ou ações ligadas à Libertadores irritou a maioria dos clubes brasileiros. Há ainda a recomendação para que não se esconda as marcas parceiras da Conmebol, o que os participantes evitam cumprir já que têm contratos com outras empresas.

Se o Flamengo for condenado pagará uma multa de US$ 50 mil (R$ 270 mil), valor que é retirado da cota de US$ 3 milhões (R$ 16 milhões) repassada pela Conmebol na fase de grupos. Em caso de reincidência a pena dobra para US$ 100 mil (R$ 540 mil), podendo chegar a US$ 150 mil (R$ 810 mil) a partir das oitavas de final.

O marketing de emboscada é uma estratégia em que empresas se associam a um determinado evento esportivo, cultural, musical ou social buscando ligação sem, no entanto, serem patrocinadoras ou terem gastos oficiais.

Além do Flamengo, outros seis times brasileiros estão na fase de grupos da Libertadores: São Paulo, Palmeiras, Santos, Inter, Atlético-MG e Fluminense. Na Copa Sul-Americana, que têm a mesma regra, mas com patrocinadores diferentes, outros sete brasileiros jogam os grupos: Corinthians, Grêmio, Atlético-GO, Athletico, Bragantino, Ceará e Bahia. (UOL Esportes – Marcel Rizzo)

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