Lucas Paquetá: Os riscos e os caminhos para o meia após a denúncia de manipulação

Apostas I 25.05.24

Por: Magno José

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Paquetá pode ser banido do futebol caso envolvimento com apostas seja comprovado
Lucas Paquetá: acusado de forçar cartões amarelos em jogos do West Ham (Foto: Divulgação/West Ham)

O futuro de Lucas Paquetá se tornou nebuloso após a denúncia da Federação Inglesa (FA, na sigla em inglês) de que ele forçou cartões amarelos para beneficiar apostadores em quatro partidas do West Ham. O meia alega inocência e promete lutar para se defender, mas tudo leva a crer que as chances de sucesso são pequenas, e a possibilidade de uma punição pesada é grande.

O GLOBO ouviu especialistas em direito desportivo para entender as implicações do caso e as alternativas de Paquetá. Eles afirmam que se, por um lado, a longa duração da investigação (nove meses) sugere não haver prova definitiva, por outro indica a coleção de uma série de indícios.

— Provavelmente você não tem aquela prova cabal, a cereja em cima do bolo. Porque, quando tem, a investigação acaba antes, não dura nove meses. O que você tem são várias evidências que, juntas, te fazem chegar à conclusão que de que ele atuou para haver manipulação. Por isso, a defesa tenta isolar as provas para que percam a força em conjunto. É bater nelas, tentar mostrar que não são sólidas — explica o advogado Felipe de Macedo.

O futebol inglês possui histórico de punição. Em 2023, o atacante Ivan Toney, do Brentford, foi condenado a oito meses; no início deste mês, a FA puniu Sandro Tonali, do Newcastle, por dois meses. Mas, como já cumpria pena de 10 meses na Itália (de quando atuava no Milan) acordou-se que só pagaria a nova sentença caso voltasse a desrespeitar as regras até o fim da próxima temporada.

Só que, nos dois casos, a infração foi apostar, o que é proibido para jogadores. Tonali, inclusive, admitiu o vício. A legislação inglesa distingue esta prática da de atuar em manipulação, que é a acusação feita a Paquetá.

O caso do brasileiro é parecido com o de outros dois que tiveram punições mais graves. Em 2018, Bradley Wood, do Lincoln City, da 5ª divisão, pegou seis anos por forçar amarelos. Pelo mesmo motivo, Kynan Isaac, do Stratford Town, da 7ª divisão, recebeu pena de 10 anos em 2022.

— Este precedente é preocupante para o Paquetá, porque houve não só a atitude de forçar o cartão como de beneficiar pessoas próximas — alerta Leonardo Garcia, ex-procurador federal e especialista em direito desportivo, acrescentando que o fato de não ser acusado de receber vantagem financeira não ameniza a situação.

Atenuantes, neste caso, envolvem confissão. Como com alguns dos condenados na Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás. Os jogadores que colaboraram com as investigações receberam penas menores (algumas já expiraram).

Mas Paquetá sustenta a inocência. O jogador tem até 3 de junho para fazer sua defesa no Comitê Independente, que irá julgar o caso.

— Confessar, desde que você seja culpado, às vezes é melhor. Entregando informações que a investigação não tenha é melhor ainda — complementa Macedo.

Tanto a defesa quanto a acusação podem recorrer até à Corte Arbitral do Esporte, instância máxima. Até lá, o processo pode durar mais de um ano.

 

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