Ministério Público é contra legalização dos bingos.

Bingo I 17.02.04

Por: sync

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Um grupo de oito procuradores e promotores de cinco estados vai entregar ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em duas semanas, um relatório que aponta estreita relação entre o crime organizado e as casas de bingos e caça-níqueis.
O jogo seria a atividade usada pelo crime organizado para lavar o dinheiro obtido de forma ilícita. O objetivo do grupo é barrar a regulamentação dos bingos, em estudo pelo governo. Os procuradores tentaram, sem sucesso, ser recebidos pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, na última quinta-feira, um dia antes de estourar o escândalo que envolveu Waldomiro Diniz, ex-assessor do ministro.
O procurador Guilherme Schelb, que integra o grupo, afirma que “é ilusão buscar moralizar uma atividade usada como lavagem de dinheiro no mundo inteiro”. E acrescenta: “Se for para gerar empregos, a prostituição gera muito mais”. Os procuradores buscam ocupar espaço político no momento em que foi divulgada a relação de um ex-assessor do Palácio do Planalto com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, dono de casas de bingo em Goiás.
A investigação dos procuradores, que já dura mais de cinco anos, apurou que a empresa espanhola Recreativos Franco, infiltrada e utilizada pela máfia italiana, foi o elo principal para inundar o Brasil de máquinas caça-níqueis, a partir de 1996. Das máquinas instaladas em bingos, cerca de 40% são fabricadas pela Recreativos Franco. Segundo o Ministério Público, os bingos seriam, na verdade, cassinos sob o rótulo ardiloso de bingos.
A máfia teria usado dois grupos no Brasil, o Franco e um outro, conhecido como Ortiz. Assim, montaram várias empresas, tendo como sócios dois mafiosos: Lillo Lauricella e Giuseppe Aronica. Essas empresas teriam sido formadas com dinheiro resultante da venda de toneladas de cocaína e heroína. A família Ortiz, liderada por Alejandro Ortiz, chegou a abastecer 850 bingos no Brasil. Cada máquina caça-níquel custa entre R$ 800 e R$ 1 mil e rende cerca de R$ 1 mil por mês.
Mãos Limpas
Documento enviado pelos procuradores italianos que investigaram a máfia, na Operação Mãos Limpas, demonstra que essa organização criminosa pretendia utilizar os bingos na América do Sul para lavar o seu dinheiro. Na Argentina, a atividade já está legalizada, mas ainda há obstáculos para a regularização no Brasil.
Schelb afirma que a regularização dos bingos seria o primeiro passo para a legalização do jogo no País. A proibição das máquinas caça-níqueis fora das casas de bingo não impediria sua proliferação. Como poderiam ser instaladas nas casas de bingo, a sua comercialização não seria proibida no País.
O procurador afirma que as investigações em vários estados comprovaram que a atividade dos bingos tem provocado a corrupção de policiais. No Paraná, por exemplo, o esquema do bingo mantinha um caixa de R$ 500 mil mensais para pagar policiais que davam proteção à atividade.
Jornal Estado de Minas (MG) – Lúcio Vaz


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