Ministro da Justiça defende fim dos bingos.

Bingo I 20.02.04

Por: sync

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O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, é contra a regulamentação dos bingos no país e acha que o governo federal deveria proibir de vez seu funcionamento por serem ”propícios à lavagem de dinheiro, muito adequados ao crime organizado e causadores de mortes estranhas”. Como solução intermediária, o ministro admitiria a estatização dos bingos, embora considere ”complicado” o fato de, neste caso, o Estado homologar uma atividade fundada em ações ilegais.De qualquer forma, não vê saída a não ser extinguir ou estatizar. ”Regulamentar, a meu ver, está fora de cogitação”, diz Thomaz Bastos. Ele vai passar o carnaval examinando vasto dossiê sobre a operação do jogo no país e suas ramificações no exterior e, logo após os feriados, dará ao Palácio do Planalto uma posição. Na opinião do ministro da Justiça, o caso Waldomiro Diniz teve a utilidade de chamar a atenção sobre o assunto e levar o governo a tomar uma decisão ”mais cuidadosa” a respeito da legislação de bingos e loterias, em fase final de elaboração. Thomaz Bastos não exibe resquício de dúvida quanto à atuação do ex-assessor parlamentar do Palácio do Planalto, Waldomiro Diniz, junto à máfia do jogo. ”Cada vez que a gente vê a fita, a sensação é pior porque a conversa é de gente envolvida em corrupção pesada.” O ministro está cada vez mais convicto de que Waldomiro foi vitimado pela briga das quadrilhas com as quais estava envolvido. ”No início, apostei na teoria conspiratória. Achei mesmo que as fitas divulgadas na semana passada pudessem ser parte de um estoque de artilharia eleitoral preparada pelo PSDB.” Depois, refletindo e examinando o caso a partir da experiência de advogado criminalista, chegou à conclusão de que a motivação da denúncia foi criminal e não política. A hipótese considerada mais verossímil pelo ministro é a de que o bicheiro Carlos Cachoeira tenha alvejado Waldomiro Diniz, divulgando imagens dele em ato de corrupção explícita, como prova de lealdade a seus sócios. ”Pelo jeito, Waldomiro contrariou interesses desse grupo, e, por ser próximo a ele, Carlos Cachoeira passou também a ser alvo de desconfiança.” Para provar que não, supõe o ministro, o bicheiro então teria divulgado a filmagem feita dois anos antes por medida de precaução. ”Nesse submundo as coisas funcionam assim.” Mas, se já não restam dúvidas a respeito da atuação de Waldomiro Diniz junto à máfia da jogatina, não seria lógico imaginar que ele tinha cúmplices dentro da administração federal? ”Necessariamente não é preciso parceiros, ainda mais no caso dele que era presidente da Loterj, com autonomia para decidir.” Sim, mas depois, no Planalto, não dispunha da mesma autonomia e, até o governo já admite, continuou a agir. ”É um dos pontos que a comissão de sindicância interna instalada no Palácio vai investigar.” Convém, pois é pouco provável que Waldomiro Diniz fosse a única ponte do bingo com o poder público. Roteiro.Depois da comédia – ou tragédia – de erros cometidos na (falta de) administração da crise, o governo elaborou um plano de vôo para os próximos dias. Obviamente sujeito a alteração radical se surgirem novas denúncias. A comissão de inquérito sobre as atividades de Waldomiro Diniz no Palácio do Planalto, os governistas consideram que já conseguiram evitar. Tratam agora de impedir a instalação da CPI dos Bingos no Senado, contando, para isso, com a possibilidade de a Mesa simplesmente indeferir o pedido por meio de ação direta de José Sarney. Durante o carnaval, um ”plantão” cuidará de responder de pronto a qualquer ataque e preparar uma ”agenda positiva” de ações governamentais para ser executada a partir de 2 de março. Há divisão quanto à necessidade de o presidente Luiz Inácio da Silva se pronunciar sobre o assunto. Um grupo acha que ele deve calar a fim de se manter distante da história; outro, mais realista, considera que no meio da história ele já está, agora deve tratar de não parecer omisso e manifestar-se a respeito o quanto antes. Dora Kramer – JB 


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