Pesquisa revela que 36% dos meninos norte-americanos entre 11 e 17 anos apostaram em jogos online

Apostas I 03.03.26

Por: Magno José

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Pesquisa revela que 36% dos meninos americanos entre 11 e 17 anos apostaram em jogos online
A Common Sense Media conduziu levantamento com mais de 1.000 adolescentes do sexo masculino nos Estados Unidos. O estudo identificou que jogos eletrônicos com sistemas de recompensas aleatórias, anúncios em redes sociais e pressão do grupo de amigos facilitam o acesso de menores a atividades de apostas

A organização Common Sense Media entrevistou mais de 1.000 meninos americanos de 11 a 17 anos. Os dados mostram que 36% desses adolescentes participaram de apostas em cassinos virtuais durante o ano anterior à realização do levantamento.

O estudo aponta que cerca de 25% dos entrevistados se envolvem com atividades em jogos eletrônicos que reproduzem mecânicas similares às de apostas. Michael Robb, PhD e responsável pela área de pesquisa da Common Sense Media, explica que o primeiro contato dos jovens com esse universo não ocorre necessariamente por meio de apostas tradicionais.


Confira o relatório completo


“Jogar é algo cada vez mais presente nos espaços digitais em que os meninos já passam tempo”, afirma Robb. Os adolescentes são expostos a sistemas que funcionam de maneira parecida com jogos de azar, mas que frequentemente não são reconhecidos como tal pelos responsáveis.

“Para muitos pais, pode parecer inofensivo que seus filhos gastem dinheiro aqui e ali em caixas de itens em um jogo online“, diz Robb. “Mas eles podem gastar US$ 5 tentando conseguir um item muito bom no jogo e, quando não conseguem, tentam novamente. E isso não é muito diferente de puxar a alavanca da máquina caça-níqueis repetidamente”, declara o pesquisador.

Apostas esportivas e jogos tradicionais também atraem adolescentes

Aproximadamente 12,5% dos meninos entrevistados apostam em eventos esportivos. Outros 12,5% participam de modalidades convencionais, como pôquer e outros jogos de cartas.

Os gastos anuais com essas modalidades tradicionais chegam a US$ 54 ou mais, equivalente a cerca de R$ 277 na conversão atual. Robb menciona que, em algumas situações, os adolescentes utilizam cartões de crédito dos pais sem autorização prévia.

Publicidade e algoritmos expõem menores a conteúdo de apostas

O levantamento mostra que 60% dos adolescentes relatam ter visto anúncios de jogos de azar em redes sociais. Essas publicidades aparecem automaticamente nos feeds dos usuários, independentemente de busca ativa por esse tipo de conteúdo.

Entre os adolescentes que participam de jogos, 45% afirmam visualizar conteúdos relacionados às apostas online. Esse material é exibido principalmente por meio de algoritmos das plataformas.

“Eles também são expostos a jogos de azar assistindo à TV ao vivo ou a transmissões online de eventos esportivos”, explica Robb.

Influência dos amigos aumenta probabilidade de envolvimento

A pesquisa indica que 80% dos meninos que têm amigos envolvidos com jogos também apostam de alguma forma. “Se você tem amigos que jogam, isso aumenta muito a probabilidade de você também jogar”, afirma Robb.

Exposição precoce pode estabelecer padrões comportamentais duradouros

Robb explica que a exposição precoce pode criar padrões comportamentais difíceis de interromper. O cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento, especialmente nas regiões relacionadas à impulsividade e à capacidade de tomar decisões.

O comportamento pode afetar o desempenho escolar e os relacionamentos dos jovens. Existe risco elevado de desenvolvimento de ansiedade, depressão e outras formas de dependência, incluindo o uso de substâncias.

Entre os elementos que tornam o jogo atraente para os adolescentes estão a tentativa de escapar do estresse, a ilusão de controle sobre os resultados e a emoção gerada pela aleatoriedade das recompensas.

Especialistas recomendam diálogo e monitoramento familiar

Profissionais especializados em segurança digital infantil recomendam que as famílias adotem diálogo e monitoramento. A orientação inclui conversar com os filhos sobre as consequências das apostas e estabelecer expectativas claras sobre gastos dentro de jogos eletrônicos.

Os especialistas sugerem que os pais revisem compras realizadas com cartão de crédito para identificar gastos repetidos em jogos. “Isso não é para envergonhar a criança, mas apenas para conscientizá-la de quanto dinheiro ela está gastando. As crianças geralmente não associam esses pequenos gastos repetidos a custos do mundo real”, explica Robb.

O pesquisador também recomenda que os pais observem o tipo de conteúdo consumido pelos filhos e priorizem conversas contínuas, focando mais na frequência do comportamento do que em episódios isolados.

Fundador da Common Sense Media defende verificação de idade e restrições à publicidade

Jim Steyer, fundador da Common Sense Media, defende alterações no funcionamento das plataformas digitais. “É preciso haver verificação de idade em todas as plataformas de mídia social”, afirmou. “Em segundo lugar, é necessário haver restrições claras à publicidade.”

Steyer argumenta que famílias que assistem a eventos esportivos não deveriam ser bombardeadas com comerciais de aplicativos de apostas. “Existem soluções claras aqui, mas a indústria precisa assumir a responsabilidade, e os legisladores em todo o país precisam implementar leis simples que punam as empresas que se aproveitam desses meninos vulneráveis”, declarou.

 

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