Presidente do Santos acusa funcionário do clube de tentar subornar jogadora do Bragantino

Apostas I 21.06.22

Por: Magno José

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Imagem alegada pelo Santos sobre suposta presença de envelope com a quarta árbitro no jogo contra o Bragantino (Foto: Reprodução)

O presidente do Santos, Andrés Rueda, convocou uma entrevista coletiva nesta segunda-feira e acusou um funcionário do clube de tentar subornar uma jogadora do Bragantino em uma partida entre os dois clubes pelo Campeonato Brasileiro Feminino. O dirigente não revelou o nome do acusado, que foi demitido.

– A gente teve um fato lamentável comprovadamente nesse fim de semana que talvez seja a cabeça de um iceberg do que está acontecendo no nosso futebol. Um funcionário do nosso clube, do futebol feminino, utilizando-se de um intermediário do Bragantino, tentou subornar uma jogadora do Bragantino para arranjar um resultado elástico já no primeiro tempo do jogo para efeito de apostas – disse Rueda.

A partida foi neste domingo e terminou empatada por 1 a 1. Segundo Rueda, a jogadora supostamente procurada para receber o suborno acionou o diretor executivo do Bragantino, Thiago Scuro, e relatou o caso.

– A alegação é de que o Bragantino já estava eliminado. A jogadora prontamente recusou a proposta e comunicou seus superiores, que têm uma relação muito forte com o Thiago, apresentando inclusive provas materiais, prints de conversas. Tão logo chegou ao nosso conhecimento, junto com o Thiago, a gente tomou algumas providências. Providências que tomamos de imediato: demissão por justa causa de todos os envolvidos. Oficiamos imediatamente a CBF, colocando as provas, os prints.

– O resultado não era para o resultado da partida, era para que acontecessem algumas condições no primeiro tempo.

Envelope

Rueda ainda levantou dúvida sobre a possível participação da arbitragem no esquema. Ele relatou uma cena que, segundo ele, precisa ser investigada: um funcionário do clube (Rueda não especificou se é o mesmo acusado) teria entregue um envelope para a quarta árbitra da partida.

– Tem uma passagem inclusive do início do jogo, um negócio no mínimo esquisito, um funcionário dando supostamente um envelope para a quarta árbitra (Adeli Mara Monteiro) na frente da juíza (Marianna Nanni Batalha), que tem de ser investigado. Avisamos a CBF. Abrimos um BO para apuração criminal dos fatos e estamos preparando todo um material para encaminhar para o Ministério Público. Não ficaremos contentes enquanto não apurarmos toda a podridão – afirmou.

– Não tenho condições de avaliar (se tinha arbitragem envolvida). A imagem é pública (do envelope sendo entregue). E a gente passou essa imagem, tudo isso, também para a CBF, para a polícia, para investigarem.

– É um fato que aconteceu no jogo. Eu não quero ser leviano. Aparece o envelope. Tem de ser investigado, porque é uma atitude completamente estranha: antes de o jogo começar, ir lá e entregar um envelope.

Rueda pediu que o episódio provoque mudanças na arbitragem brasileira e questionou se alguns erros são efetivamente erros.

– Neste momento em que praticamente estamos colocando certas suspeitas sobre os árbitros, ninguém entende, talvez as coisas comecem a ficar um pouco mais claras. Tem alguma coisa estranha acontecendo. O que a gente pede? Estamos solicitando a toda a comunidade que quer bem ao nosso futebol, a imprensa, os clubes, a própria CBF, as federações, que se juntem e exijam imediatamente a profissionalização da arbitragem, com investigações de todas as séries do futebol brasileiro, para apurar se eventuais erros que estão acontecendo são erros – afirmou. (ge – Santos)

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Demitido do Santos, suspeito de tentativa de suborno nega ter relação com apostas

Fabricio de Paula, ex-preparador de goleiros do Peixe, alega ter entregue uma capa de chuva para a quarta árbitra do jogo contra o Red Bull Bragantino, pelo Campeonato Brasileiro feminino

Acusado pelo Santos de tentar subornar uma jogadora do Red Bull Bragantino em uma partida entre os dois clubes pelo Campeonato Brasileiro Feminino, Fabricio de Paula se defendeu nesta segunda-feira à noite em nota oficial enviada à reportagem.

O suspeito de participação num esquema de apostas foi demitido por justa causa pelo Santos depois da partida do último domingo, que terminou empatada em 1 a 1.

Fabricio de Paula, que era preparador de goleiros do time feminino do Santos, alega ter ido ao hotel em que a delegação do Red Bull Bragantino estava hospedada para conversar com um amigo que trabalha no clube. Lá, conheceu a atleta que, mais tarde, denunciaria a possível tentativa de suborno.

– A defesa do sr. Fabrício, entretanto, reitera que o profissional não possui qualquer ligação com sites de apostas, jogos de azar ou coisas correlatas. Portanto, quaisquer insinuações nesse sentido são meras especulações, sem fundamento algum, que podem ter sido cogitadas, inclusive, possivelmente por um erro de interpretação – pois, de fato, Fabrício tentou contatar a atleta do time adversário em questão, mas por motivos completamente diferentes – diz a nota oficial.

Segundo a defesa do preparador de goleiros, Fabricio de Paula conversou com a jogadora adversária também por mensagens virtuais, mas que seu contato foi mal interpretado.

– A defesa do profissional ressalta que quando da apresentação das suas conversas via aplicativo de mensagem, em juízo, ficará comprovado que nada de anormal, existiu. E que ainda a mensagem foi mal interpretada, já que a atleta não entendeu que a intenção era a contratar como profissional.

Rueda ainda levantou suspeita sobre a possível participação da arbitragem no esquema. O presidente do Santos havia relatado uma cena que, segundo ele, precisa ser investigada: um funcionário do clube (Rueda não havia especificado se era o mesmo acusado) teria entregue um envelope para a quarta árbitra da partida antes de a bola rolar. O dirigente não disse o que haveria dentro do envelope.

– Tem uma passagem inclusive do início do jogo, um negócio no mínimo esquisito, um funcionário dando supostamente um envelope para a quarta árbitra (Adeli Mara Monteiro) na frente da juíza (Marianna Nanni Batalha), que tem de ser investigado. Avisamos a CBF. Abrimos um BO para apuração criminal dos fatos e estamos preparando todo um material para encaminhar para o Ministério Público. Não ficaremos contentes enquanto não apurarmos toda a podridão – afirmou.

O suspeito também se defendeu desta alegação:

– De fato, foi entregue, mas era uma simples capa de chuva; portanto, não se sabe de onde foi tirada essa absurda associação ao lamentável episódio de acusação de suborno. A defesa ressaltada ainda que, na própria súmula da partida (documento oficial da CBF), não há relato de nenhuma ocorrência em especial. Confira no ge a nota oficial da defesa de Fabricio de Paula.

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