China suspeita que CIA espiou nos cassinos de Macau

Cassino I 23.07.15

Por: sync

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Um relatório chinês "altamente confidencial" revela a existência de fortes suspeitas chinesas de que os cassinos da antiga colônia portuguesa estejam sendo instrumentalizados para chantagear altos quadros do partido, que jogariam com dinheiros públicos.

O relatório, citado no diário britânico The Guardian, destaca o fato de o multimilionário e financiador do partido republicano dos EUA, Sheldon Adelson ter adquirido cassinos em Macau e pode estar utilizando-os para recolher informações sobre altos quadros comunistas que têm o vício do jogo.

Segundo o relatório, encomendado em 2010 por uma empresa do próprio Adelson a um investigador particular, "muitos dos funcionários [chineses] que contatamos consideravam que as agências de espionagem dos EUA são muito ativas em Macau e que penetraram e utilizam os cassinos para as suas operações".

A empresa responsável pela investigação, Sands China, estava preocupada com uma aparente viragem do Governo de Macau, na aparência cada vez mais hostil ao jogo na colônia.

O chefe do Governo, Fernando Chui Sai-on, agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Portugal, estaria fragilizado pelas acusações de corrupção que se têm acumulado contra ele, pelo processo antidemocrático que o colocou no poder e, mais recentemente, pela preocupação das autoridades de Pequim com o alegado papel dos cassinos de Macau na espionagem norte-americana. Daí o ter começado a dar sinais de hostilidade ao jogo, anteriormente uma atividade intocável do território.

O relatório, datado de 25 de junho de 2010, era "altamente confidencial", mas acabou por ser descoberto e revelado pelo Programa de Jornalismo de Investigação da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Segundo o relatório, "uma fonte confiável informou que o Governo central chinês acredita firmemente que a Sands permitiu a agentes da CIA/FBI operarem nas suas instalações. Estes agentes aparentemente ‘vigiam funcionários do governo continental’ que jogam nos cassinos". O objetivo desta vigilância consistiria em "forçá-los a cooperarem com interesses do Governo dos EUA".

A Sands China classificou o relatório como "uma série de especulações sem significado" e como "uma ideia para o guião de um filme".

Ainda segundo o relatório, "um motivo de considerável preocupação é o fato de, segundo um contato bem colocado no Governo de Pequim, um relatório interno de uma agência do Governo central calcula em US$ 2 milhões anuais aquilo que jogam, nas suas visitas a Macau, funcionários do Governo chinês no ativo".

Haveria também a preocupação sobre o efeito corruptor deste fenômeno, visto que os funcionários em causa não poderiam jogar quantias tão elevadas, apenas com o seu próprio vencimento. Mas, a esta preocupação, juntou-se mais recentemente a de os funcionários se poderem tornar permeáveis à chantagem da CIA. Este terá sido um dos motivos para a China recusar autorização para a abertura de um consulado dos EUA em Macau.

Enfim, o Governo chinês parece ter ficado alarmado com a precisão de informações de que dispunha um relatório norte-americano datado de 2005 sobre o papel de Macau na lavagem de dinheiro pela Coreia do Norte. (Com RTP Notícias e Agências)
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