‘Se captou é cadeia’, diz tesoureiro do PT.

Loteria I 18.03.04

Por: sync

Compartilhe:

BRASÍLIA – O Tesoureiro do PT, Delúbio Soares, afirmou ontem que, se o ex-assessor de Assuntos Parlamentares Waldomiro Diniz captou em algum momento recursos em nome do partido, como demonstram as investigações policiais, tem de ser preso, porque não estava autorizado. Delúbio disse que tem controle absoluto sobre as arrecadações partidárias e jamais ele ou qualquer dirigente do partido deu autorização para Waldomiro pedir dinheiro a quem quer que seja. "Se captou, é cadeia", enfatizou. Pivô de mal-estar no governo pela freqüência com que circula nas repartições públicas, particularmente no Ministério dos Transportes, Delúbio voltou ao Palácio do Planalto, ontem, por volta das 17h40. A intimidade é tanta que o tesoureiro, mesmo sem ser funcionário público, chegou a integrar a comitiva oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na visita aos países africanos, em novembro. Sua presença só se tornou incômoda depois que a imprensa percebeu que em algumas das visitas ao Ministério dos Transportes ele se fez acompanhar de empreiteiros.Delúbio disse que veio ao Planalto ontem tratar de assuntos partidários com uma companheira petista, que trabalha no segundo andar do palácio. O tesoureiro aproveitou para negar que tenha sido repreendido por suas incursões. "Eu sempre vim aqui e vou continuar vindo tratar de assuntos de interesse partidário com os meus companheiros do governo. Não há nenhum impedimento ético ou administrativo para isso."Delúbio confirmou que o episódio Waldomiro Diniz está causando estragos profundos ao governo e paralisando a administração pública. "Estamos todos muito incomodados. Quanto mais rápido terminar essa crise, melhor para o governo e para o País."Ele reafirmou declarações recentes à imprensa de que é o responsável pelas captações do partido no País e, nessa condição, já pediu dinheiro a mais de 7 mil empresas para as campanhas do PT. Ressalvou, todavia, que as doações não significam compromissos de reciprocidade do governo. "Eu não vou deixar de visitar os meus companheiros do Planalto e do governo por causa de insinuações", completou.Confirmação – A Comissão de Sindicância criada pelo Palácio do Planalto para investigar a atuação de Waldomiro Diniz no governo levantou evidências de que o ex-assessor praticou atos incompatíveis com o decoro da função. O relatório da comissão, a ser entregue até segunda-feira ao ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, deverá recomendar a transformação da exoneração a pedido de Waldomiro em exoneração por ato de ofício do presidente da República. Deverá ainda recomendar a abertura de processo administrativo para demissão definitiva do ex-assessor a bem do serviço público.Criada em 19 de fevereiro, a comissão conclui seus trabalhos – mantidos sob sigilo – no sábado. Os indícios levantados são praticamente os mesmos apurados pela Polícia Federal e confirmaram a convicção de que Waldomiro praticou ato de improbidade administrativa ao interferir nas negociações entre a Caixa e a Gtech, a fim de obter vantagens financeiras para ele e para terceiros. Ontem, o diretor de marketing e o ex-presidente da Gtech, Marcelo Rovai e Antônio Carlos Rocha, confirmaram à comissão a versão que haviam dado à PF, de que Waldomiro tentou forçar a contratação do consultor Rogério Buratti para facilitar as negociações com a Caixa. Estadão – VANNILDO MENDES


Compartilhe: