Depoimento do presidente da Gtech na CPI da Alerj liga casos Loterj e Caixa Econômica Federal.

Loteria I 22.04.04

Por: sync

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Carlos Augusto Ramos tentou firmar uma parceria com a Gtech do Brasil Ltda para dominar as loterias no país. Foi  o que concluiu o relator da CPI da Loterj e do Rio Previdência, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), depois do depoimento de ontem (20.04) do presidente da Gtech, Fernando Antônio de Castro Cardoso. Segundo ele, ficou evidente a ligação entre as irregularidades cometidas na Loterj e na Caixa Econômica Federal. "Ficou mais do que demonstrada a relação da Gtech com Waldomiro Diniz e Carlinhos Cachoeira", afirmou. Em seu depoimento, Fernando Antônio negou sistematicamente que houvesse qualquer relação entre a renovação do contrato da Gtech com a Caixa e a desistência da concorrência pelos jogos on line no Estado do Rio, vencida pelo Consórcio Combralog, de Carlinhos Cachoeira. O presidente da Gtech, no entanto, admitiu que a empresa foi procurada tanto por Waldomiro quanto por Cachoeira.      
Fernando Antônio disse que o texto do edital de licitação para exploração de jogos on line no estado inviabilizava a participação da Gtech, já que proibia a empresa vencedora de prestar serviço para a concorrente da Loterj. A Gtech, na ocasião, era contratada da Caixa Econômica  Federal. "Havia ainda uma clausula que proibia a utilização dos equipamentos para outros serviços que não os prestados a Loterj e outra determinando que a empresa estivesse baseada no Rio. Essas exigências inviabilizaram a participação da Gtech, que é a maior empresa do setor de jogos on line, com 70% do mercado mundial", protestou.
Em 2001 a Gtech tentou impugnar o edital de licitação da Loterj, mas teve seu recurso administrativo negado. Em novembro de 2002, a empresa tentou mandado de segurança, mas a liminar foi negada em maio de 2003. A Gtech não apelou a segunda instância. "Não recorremos porque o processo já estava concluído e a Combralog já tinha iniciado o trabalho. Além disso, achamos que as despesas para nos adaptar ao edital não compensariam. Mas isso não tem relação com a negociação para renovação do contrato com a Caixa", garantiu. A alegação não convenceu o deputado André Corrêa (PPS). "Antes eram suposições, agora ficou claro que havia um triangulo, interligado cronologicamente, formado por Waldomiro, Cachoeira e a Gtech", afirmou Corrêa.
Fernando Antonio informou aos deputados que a Getch foi sub-contratada pela Gerplan, empresa de Cachoeira, de 1997 a 2002, para serviços de manutenção das máquinas lotéricas em Goiás. Fernando Antonio contou ainda que CAchoeira procurou a Gtech posteriormente para propor novas parcerias no ramo lotérico. A empresa chegou a assinar memorandos de intençÃo, mas não fechou os negócios.
Quando interrogado pelo deputado Paulo Mello (PMDB), o presidente da Gtech se negou a falar da reunião com Waldomiro Diniz em Brasília, porque, segundo ele, fugiria do objeto de investigação da CPI. O deputado Paulo Ramos (PDT) insistiu, Fernando Antônio recorreu aos seus advogados e acabou falando.
Ele confirmou que Waldomiro procurou a Gtech três vezes e, na última reunião sugeriu a contratação do advogado Rogério Buratti pela empresa, como consultor de relações governamentais. Segundo o Fernando Antônio, o próprio Buratti teria procurado a Gtech para dizer que ajudará no processo de renovação do contrato com a Caixa. Segundo Fernando Antonio, Buratti nunca prestou qualquer serviço formal ou informal à empresa. O deputado Luiz Paulo informou que vai propor a convocação de Rogério Buratti.


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