O apito final da Copa se aproxima. E agora?

Na segunda-feira de manhã o mundo do futebol já vai ter voltado ao normal. Brasileirão, estaduais, ligas regionais, tudo isso retorna e segue firme. Só que tem uma coisa que não volta: o Mundial. A Copa do Mundo termina no domingo e então, só daqui a quatro anos.
Alguém vai lembrar que no ano que vem tem Copa do Mundo feminina, e é verdade. Mas infelizmente, ela ainda não gera o mesmo movimento do mundial masculino. Então o vazio que se abre depois de domingo continua de pé.
Vale uma distinção que quem trabalha com apostas entende bem. A Copa não é o evento esportivo mais importante que existe. Se a gente olha o esporte como um todo, as Olimpíadas mobilizam mais modalidades e mais países. Mas quando o assunto é futebol, nada chega perto de uma final de Copa. E é por isso que o vazio que vem depois dela é tão específico. Não é falta de jogo. É falta daquele jogo.
Aqui preciso ser precisa, porque é fácil misturar duas coisas diferentes. O esporte virtual não substitui a Copa do Mundo. Nada substitui a Copa antes de quatro anos, esse buraco é único e é para ser assim mesmo. O que o fim da Copa faz é escancarar uma verdade que vale o ano inteiro: a vontade de se divertir fazendo uma “fezinha” em um evento esportivo nem sempre coincide com a disponibilidade de um evento rolando ao vivo.
O calendário ao vivo, por mais cheio que esteja, não acompanha o ritmo de quem quer jogar. Tem o vão entre uma rodada e a próxima, o dia sem partida relevante, a semana mais fraca. Nesses momentos, quem tinha vontade de acompanhar um evento e apostar simplesmente não encontra um à altura. É esse descompasso, entre o interesse do torcedor e a agenda do mundo real, que o esporte virtual resolve. Ele oferece uma opção de entretenimento quando não há um evento ao vivo disponível, e não só depois de um Mundial. A Copa terminando é apenas o momento em que esse descompasso fica mais fácil de enxergar.
E aqui vou além do básico, porque muita gente resume esporte virtual a uma sigla e para por aí. O RNG (Random Number Generator) certificado por laboratório independente é o alicerce. É o que garante que cada resultado é aleatório, auditável e dentro das regras de cada jurisdição, no caso do Brasil, precisa passar pela chancela da SPA/MF. Mas o que define o valor da vertical não é só como o resultado é gerado. É como ele chega ao operador e ao jogador.
No caso da Kiron e certamente de outros provedores de virtuais, esses jogos podem chegar de duas formas. A primeira é no lobby de cassino, via agregador ou integração direta com a plataforma PAM, onde ele funciona com a lógica de sessão que o jogador de cassino já conhece. A segunda, e é aqui que a vertical brilha de verdade, é a integração via data feed dentro de uma plataforma de sportsbook. Nesse formato o virtual entra como mais um esporte, com odds, mercados, favoritos e azarões, exatamente onde o apostador de futebol já está.
Essa diferença importa. No lobby de cassino, o virtual concorre com slot e crash. No sportsbook, ele conversa com o hábito de quem estava apostando na Copa até domingo. Para o operador, é continuidade de comportamento, não um produto novo que precisa ser ensinado do zero.
E é aí que mora a parte mais interessante. A tecnologia é o meio. O que me interessa é o comportamento. O apostador não procura só um resultado, procura a expectativa. Quer analisar, escolher um mercado, apostar e acompanhar até o apito final. O virtual preserva essa dinâmica inteira, com a diferença de que o próximo evento não está a dias de distância. Está a poucos minutos. E o apito final não demora noventa minutos para chegar. É o melhor dos dois mundos: a dinâmica de uma aposta esportiva, praticamente sob demanda.
E não vive só de futebol. O futebol é a principal porta de entrada, ainda mais no Brasil, e faz todo sentido, porque é onde está a maior demanda. Ainda assim, um portfólio maduro vai além das competições inspiradas nas grandes ligas e inclui corrida de cavalo, corrida de cachorro, basquete e outras modalidades rodando ao longo do dia. É mais recorrência sem depender da agenda do mundo real.
No fim, é essa a maturidade do segmento. Os esportes virtuais não têm a pretensão de competir com eventos reais como a Copa do Mundo, o Brasileirão ou a NBA. Existem para que a experiência do apostador não fique refém do calendário, seja no vão entre duas rodadas ou nos quatro anos que separam um Mundial do outro.
(*) Eliane Nunes é Head of Revenue & Commercial Growth da ASA (Atucha Strategic Advisory) e, nessa função, atua como consultora de desenvolvimento de negócios da Kiron Interactive


