Pesquisa da H2 Gambling Capital revelou alta concentração no mercado brasileiro de apostas

Apostas I 03.02.26

Por: Magno José

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Mercado de apostas no Brasil movimenta R$ 38 bilhões com 30% em sites não licenciados
Estudo da H2 Gambling Capital apresentado na Casa Brasil durante a ICE Barcelona revela que apostadores têm dificuldade para identificar plataformas regulamentadas, com apenas 3% preferindo operadores irregulares

O mercado brasileiro de apostas e jogos online licenciados movimenta R$ 38 bilhões por ano, enquanto aproximadamente 30% das transações financeiras do setor ocorrem em plataformas não regulamentadas. A informação foi divulgada na segunda-feira (19/1) durante apresentação na Casa Brasil, evento paralelo à ICE Barcelona, um dos principais encontros do setor de jogos e apostas mundial.

O estudo, conduzido pela consultoria H2 Gambling Capital com 3.500 apostadores brasileiros, foi apresentado por Ed Birkin, Managing Director da empresa, durante o painel “Mercado Brasileiro de Apostas: Tamanho, Comportamento e Desafios Regulatórios”.

Para mensurar o tamanho do mercado não regulamentado, a consultoria utilizou três fontes de dados diferentes. A metodologia combinou pesquisas com apostadores (que indicam 21% dos gastos fora do sistema formal), análise de transações PIX do Banco Central (mostrando aproximadamente 30% dos pagamentos direcionados a sites sem licença) e métricas de tráfego na internet. O cruzamento dessas informações resultou na estimativa de que o mercado não regulado movimenta cerca de R$ 15 bilhões em GGR por ano.


Estudo ‘Mercado Brasileiro de Apostas: Tamanho, Comportamento e Desafios Regulatórios’


Concentração de mercado entre poucos operadores

A pesquisa revelou alta concentração no mercado brasileiro de apostas. Apenas dois operadores controlam cerca de 40% do mercado licenciado, enquanto os dez maiores detêm 70% do total. Os 170 operadores restantes disputam apenas 30% do mercado, com 80 deles competindo por apenas 3% desse montante.

A taxa de canalização licenciada no Brasil atinge 72%, superando países como França (61%) e Austrália (64%). Isso ocorre apesar da alíquota tributária brasileira ser inferior à francesa e semelhante à australiana, com menos restrições publicitárias e uma oferta completa de jogos.

Na análise comparativa internacional, mercados maduros como Reino Unido, Itália e Austrália mantêm entre 60% e 85% das operações em canais regulamentados, mesmo com cargas tributárias elevadas e restrições operacionais significativas.

Preferências dos apostadores brasileiros

O futebol domina as apostas esportivas no Brasil, representando 54% do total. Na sequência aparecem basquete e futsal, ambos com 11%, seguidos por tênis (9%), MMA/boxe (8%) e outros esportes (7%).

No universo do futebol, o Campeonato Brasileiro Série A lidera com 32% das apostas. Os jogos internacionais envolvendo a seleção brasileira atraem 13%, enquanto a Liga dos Campeões e o Campeonato Inglês empatam com 12% cada.

Quanto aos tipos de jogos preferidos, o Fortune Tiger lidera com 31%, seguido pelas slots com 24%. Crash Games aparecem com 13%, jogos com dealer ao vivo representam 11%, jogos sem dealer ao vivo somam 8%, bingo e outros jogos correspondem a 7%, e o pôquer fecha a lista com 5%.

Como os brasileiros escolhem operadores de apostas

O Google é o principal canal para encontrar operadores online, com 24% das indicações, seguido por mídias sociais (18%), influenciadores (15%), lojas de aplicativos (14%), indicação boca a boca (11%), WhatsApp (8%), afiliados (6%) e outros meios (4%).

Na escolha de um operador, dois fatores dividem a liderança como os mais importantes: conscientização da marca e ofertas de bônus e boas-vindas, ambos com 26%. Completam a lista: facilidade de uso (17%), probabilidade de apostas (16%) e produtos disponíveis (14%).

A maioria dos apostadores brasileiros utiliza mais de uma plataforma. Cerca de 29% mantêm duas contas, 28% têm apenas uma, 24% utilizam três contas, 11% possuem cinco ou mais contas e 8% mantêm quatro contas diferentes.

Preocupação com licenciamento e projeções para 2025

Entre os apostadores brasileiros, 60% demonstram preocupação em utilizar exclusivamente sites licenciados. Quando questionados diretamente, 53% afirmaram verificar se um operador possui licença brasileira, enquanto 18% disseram saber como verificar, mas não o fazem regularmente.

No quesito preferência por operadores licenciados, 77% dos entrevistados declararam preferir jogar apenas com empresas que possuem licença, citando melhor proteção como principal motivo. Por outro lado, 20% afirmaram não se importar se a operadora é licenciada no Brasil ou não, e apenas 3% preferem operadores não licenciados.

Um dado preocupante revelado pelo estudo é que 30% dos entrevistados não sabem como verificar se uma plataforma possui licença válida, o que dificulta a migração completa para o mercado regulamentado. A pesquisa também mostrou que alguns apostadores priorizam sites que oferecem melhores bônus, independentemente da situação regulatória.

O estudo apresentou uma projeção da participação do tráfego web onshore do Brasil em 2025, com a Betano liderando o ranking, seguida por Bet365, Superbet, Sportinbet e Esportes da Sorte completando o top 5. A lista segue com Betnacional, Blaze, EstrelaBet, CassinoPix e PixBet nas posições subsequentes.

Riscos regulatórios e comparação com a Holanda

Especialistas alertam que o Brasil pode enfrentar riscos semelhantes aos da Holanda, que regulamentou o setor em 2021. O país europeu atingiu uma canalização licenciada de 69%, abaixo da meta de 90%, nível similar ao brasileiro.

“Este é um alerta sobre o que provavelmente acontecerá com o mercado brasileiro se as propostas atuais forem implementadas”, afirmou Ed Birkin durante sua apresentação na Casa Brasil.

As consequências na Holanda foram a redução da receita bruta de jogos licenciados e da arrecadação fiscal, apesar do aumento da alíquota tributária. Mesmo com operadores licenciados investindo bilhões de reais em marketing, oferecendo melhor conteúdo e possuindo marcas mais fortes, os operadores ilegais ainda capturam R$ 1 para cada R$ 2,5 gastos com operadores licenciados.

Birkin explicou que, após implementar regras mais rígidas para publicidade e limites de apostas, o país europeu viu a participação do mercado regulamentado cair de 69% para aproximadamente 50%, aumentando as operações irregulares. Ele destacou que, mesmo no cenário mais conservador onde o mercado ilegal representasse “só” 27% do total, isso ainda significaria um volume anual de R$ 15 bilhões – valor expressivo que dificilmente poderia ser atribuído apenas a operadores sem marcas estabelecidas fora do sistema regulamentado.

A pesquisa também abordou o impacto da proibição de apostas para beneficiários de auxílio social. Quando questionados se continuariam apostando após esta restrição, 58% afirmaram que parariam completamente, 24% indicaram que continuariam apostando em sites não licenciados sem verificações, enquanto 18% ainda não haviam decidido.

Caixa Econômica Federal operar bets

Quanto à possibilidade de a Caixa Econômica Federal oferecer apostas esportivas, as opiniões se dividem: 46% acreditam que isso vai contra as responsabilidades sociais de uma instituição pública, 40% apoiam a ideia por considerarem a Caixa uma marca confiável que deveria competir com outras operadoras, e 14% não têm opinião formada sobre o assunto.

Birkin também observou que percepções sobre participação “offshore” em níveis de 40%, 50% ou até 90% refletem principalmente as dificuldades metodológicas para medir atividades irregulares. Uma variação de apenas 10 pontos percentuais nessas estimativas pode impactar centenas de bilhões de reais em receita implícita, complicando discussões sobre tributação, publicidade e limites de depósito.

 

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