Sportradar revisa projeções para 2026 após desaceleração no mercado americano

A Sportradar revisou para baixo suas projeções de crescimento para 2026 após registrar desaceleração no mercado americano de apostas esportivas online no segundo trimestre. Taxas de câmbio desfavoráveis também pesaram sobre os resultados, segundo executivos da companhia.
A nova orientação financeira prevê crescimento de receita entre 19% e 20%, com o total chegando a €1,5 bilhão (US$ 1,7 bilhão). O fluxo de caixa deve crescer entre 24% e 27%, alcançando uma faixa de €360 milhões (US$ 415 milhões) a €368 milhões (US$ 424 milhões). O diretor financeiro Craig Felenstein afirmou que o terceiro trimestre será o melhor do ano em termos de crescimento de receita.
Desaceleração no mercado americano
Felenstein descreveu o comportamento das apostas esportivas online nos Estados Unidos como algo que “estabilizou em seu crescimento” e disse não esperar recuperação expressiva na segunda metade do ano. Os resultados do segundo trimestre foram ainda prejudicados pelo bom desempenho do New York Knicks nos playoffs da NBA, que reduziu o volume de apostas contra a equipe. O CFO classificou o período como “um comentário amplo sobre a fraqueza do mercado geral” nos Estados Unidos, embora os volumes do beisebol tenham permanecido sólidos.
O CEO Carsten Koerl declarou o desempenho da empresa durante a Copa do Mundo, afirmando que “uma grande parcela” dos clientes da Sportradar veio da América Latina e da América do Norte. “A final foi para nós um recorde”, disse ele. “Teve o maior volume de negociações.” Koerl também informou que a Sportradar está no caminho certo para superar sua meta de €25 milhões (US$ 29 milhões) em sinergias de receita, em grande parte decorrentes da absorção da IMG Arena. A empresa expandiu ainda o lançamento de um serviço premium de golfe em parceria com o PGA e a visualização de lances ao vivo para a Major League Soccer.
Mercados de predição como nova aposta
Os mercados de predição emergiram como o principal vetor de crescimento alternativo nos Estados Unidos. Felenstein reconheceu que negócios esperados nesse segmento, em especial com plataformas de contratos de eventos, foram fechados, mas estão levando mais tempo do que o previsto para ser concluídos e, por isso, não foram incorporados integralmente às projeções anuais. “Todos os fundamentos do negócio permanecem exatamente os mesmos”, afirmou. Os mercados de predição estão, segundo ele, “prontos para acelerar o crescimento no segundo semestre do ano.”
Koerl anunciou acordos com Kalshi e Polymarket cobrindo a ATP, a NHL e outras ligas. “Vamos impulsionar os principais participantes do ecossistema de mercados de predição”, disse o CEO, acrescentando que a Sportradar está em negociações com outros provedores de contratos de eventos. Um acordo mais abrangente com a Kalshi, envolvendo ligas adicionais incluindo a NBA, está condicionado à aprovação dos parceiros das ligas esportivas. “Levamos bastante tempo para iniciar os acordos com as ligas e os jogadores”, explicou Koerl. “Somos muito otimistas, mas executamos com muita disciplina. O atraso nos mercados de predição não está apenas em nossas mãos. Temos de aguardar nossos parceiros das ligas.”
Koerl apontou que a maior parte da atividade em contratos de eventos ocorreu em estados como Texas e Califórnia, que não possuem apostas esportivas online regulamentadas. “De acordo com nossos clientes, há muito pouca canibalização”, disse ele.
Posição financeira e outras frentes
Interrogado sobre o equilíbrio entre custos fixos elevados e o crescimento lento das apostas americanas, Felenstein respondeu que a estratégia da empresa não estava mudando. O conteúdo da Sportradar, disse ele, continuava gerando volumes expressivos de receita e margem. Felenstein acrescentou que não vê uso melhor para os recursos da companhia neste momento do que a recompra de ações. A empresa encerrou o trimestre com €251 milhões (US$ 290 milhões) em caixa e sem dívidas.
Em relação a alegações de vendas a descoberto, Koerl informou que o comitê de auditoria da Sportradar refutou as acusações. A empresa conta com medidas rigorosas de integridade, disse o CEO, e obteve aprovações regulatórias nos Estados Unidos e em outros mercados em julho. O serviço de igaming PlayRadar foi certificado na América do Sul, na Europa e no Canadá, com aprovações em jurisdições americanas previstas em breve. Sobre fusões e aquisições, Koerl afirmou que nenhuma está planejada, especialmente no mercado de afiliados, embora a companhia mantenha atenção a outras oportunidades.

