Suspeitas contra o Toto Bola afetaram vendas.
A suspensão do sorteio do Toto Bola no Paraná e as suspeitas de fraude na loteria também no Rio Grande do Sul – divulgadas no domingo pela Rede Globo – provocaram preocupação entre os apostadores de Santa Maria. A desconfiança sobre o sistema de sorteio, que pode estar sujeito à manipulação, segundo o Ministério Público Federal, provocou queda nas vendas de cautelas em algumas lotéricas.
Mesmo alguns tradicionais apostadores ficaram surpresos. Muitos disseram que não sabem se voltarão a comprar os bilhetes do Toto Bola, que é mantido em parceira com a Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs).
É o caso da dona-de-casa Clara Oliveira, 48 anos. Ela costumava comprar de três a quatro cartões do Toto Bola por semana, mas não sabe quando voltará a fazer.
– Dá vontade de exigir o dinheiro de volta. Nem sei se vou conferir os cartões do sorteio de hoje (ontem) – diz Clara, que perdeu a noção de quanto já gastou com as apostas.
Ainda não há provas da suposta fraude.
– Sempre pensei que o sorteio era feito dentro da loteria do Estado. Se fazem fora, é suspeito – afirmou o aposentado Luiz Lima, 61 anos, que compra até seis cartelas por semana.
Como o Toto Bola custa R$ 1, acaba atraindo apostadores de todas as classes sociais. Pessoas que jogam pelo sonho de ficar ricas.
– Se for confirmada a fraude, será um roubo da esperança e do dinheiro do povo, que sonha em ter uma vida melhor – disse o apostador Paulo de Tarso Mallet, 53 anos.
A procura pelos cartões em algumas casas de apostas caiu ontem. Mas o efeito do noticiário poderá ser sentido na quinta-feira, quando a venda do Toto Bola costuma aumentar.
– Não vendemos nenhum Toto Bola hoje (ontem). E quem foi sorteado com outra cautela preferiu trocar por dinheiro – disse Jaciara Martins, funcionária da Casa do Apostador, que chega vender 2 mil unidades por semana.
Ex-sócio da empresa denunciou irregularidade.
As suspeitas surgiram depois que um ex-sócio do Toto Bola, o argentino Carlos Zicavo, revelou ao Ministério Público Federal que as máquinas trabalham com bolas com códigos de barra.
Segundo Zicavo, um computador com leitor de código de barras garante que apenas os números desejados pelos promotores do sorteio sejam extraídos na máquina de sorteio.
Jornal Diário de Santa Maria (RS) – Deni Zolin


