BNL entrevista com exclusividade Waldomiro Diniz

Loteria I 04.02.02

Por: sync

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Conforme prometemos na edição de sexta-feira, a partir de hoje estaremos publicando uma entrevista exclusiva com o presidente da Loterj, Waldomiro Diniz. Nela o presidente fala de assuntos polêmicos como os bingos do Rio de Janeiro e as vantagens da nova legislação, sobre a situação nacional dos bingos, máquinas de videobingos, mercado lotérico nacional, totobola, raspadinhas, loteria on-line, jogos pela Internet, entre outros assuntos.
BNL: O que você acha dos outros estados olharem para a Loterj como modelo de loteria estadual?
Waldomiro: Eu diria que é gratificante ver a Loterj como a maior e a melhor das loterias estaduais. Isso hoje está concretizado. Esse é um trabalho não só nosso, meu e da minha equipe, que estamos à frente da loteria há um ano, mas dos nossos antecessores. E é uma determinação do governo. Quando o governo tem um norte, fica fácil você trabalhar. Porque é um trabalho de equipe. É uma determinação clara e explícita do governador Garotinho de que a Loterj seja administrada com transparência, com eficiência e mais, que ela gere recursos para o social. Acredito que nossos colegas dirigentes das loterias dos outros estados olham para o Rio de Janeiro e usam a Loterj como referência por conta do trabalho que foi elaborado até então e esse trabalho vem dando certo.
BNL – O que você acha da concorrência da Loterj com as loterias da Caixa Econômica Federal?
Waldomiro: Todo monopólio é daninho e sou contra monopólio. Hoje a CEF que tem seu jogo, não poderia inibir, coibir ou interferir no trabalho que as loterias estaduais estão fazendo. Proponho aos meus colegas que as loterias estaduais sejam cada dia mais fortalecidas.
BNL – Você acreditaria num jogo integrado entre as loterias estaduais no estilo da loteria power-ball norte-americana?
Waldomiro – Claro! Basta verificar o movimento de apostas e de vendas das loterias dos estados norte-americanos. Em qualquer estado as loterias estaduais são um sucesso absoluto, os números das loterias instantâneas são fantásticos um estado pode vender até 80 milhões de bilhetes. Se nós aqui no Brasil formulássemos uma proposta de integrarmos poderíamos aumentar o nosso faturamento. Fica como sugestão. Se fizéssemos uma loteria integrada regionalmente poderíamos ter um plano melhor e oferecer um produto melhor aos apostadores. Isso não está longe de acontecer e acredito que num futuro próximo poderemos ter integração das nossas loterias a nível regional.
BNL – Mais uma vez a Loterj sai na frente com o lançamento da Loteria On-line e real time, que será a primeira on-line que vai operar de fato esse sistema por estado. Você acha que será mais um passo no rumo da modernidade?
Waldomiro – Com certeza! Não só no sentido de gerar recursos e logo depois transferidos para obra do social do Estado, mas no sentido de você ocupar mais espaço. Eu acho que a loteria on-line vem somar aos demais produtos da Loterj que já ocupam o seu espaço no Rio de Janeiro, e em alguns casos até vendendo mais que a loteria federal. A on-line vai dar uma nova vida a Loterj e tenho certeza que num futuro próximo nós teremos o antes e depois dessa modalidade lotérica. O mercado do Rio de Janeiro é considerado um dos mais atrativos do Brasil. O Rio tem cultura de jogo e é com certeza um dos maiores índices percapitos de apostas. O carioca tem a cultura da aposta e a loteria on-line vem casar com trabalho que vem sendo feito e com certeza vai incomodar nossos concorrentes.
BNL – Já tem previsão de lançamento e expectativa de lançamento?
Waldomiro – Estamos na fase de concretização. Já há um vencedor da licitação que é o consórcio Combralog. Estamos na fase de concretização, ou seja, a prévia que antecede a assinatura de contrato que são as garantias e registros legais. Creio que assinaremos o contrato nos próximos dias e ainda no primeiro semestre os cariocas já estarão apostando nos terminais da loteria on-line da Loterj.
BNL – Você vê a possibilidade da utilização da loteria on-line em terminais financeiros para pagamentos de contas das concessionárias do estado?
Waldomiro – Com certeza! (enfatiza) Essa é uma das nossas idéias. É bom que os leitores do BNL saibam disso, o grande negócio da CEF hoje não é a venda de jogo e sim a prestação de serviços, já que se cobra ali um percentual pela prestação serviço gerado. É captação de poupança, pagamento de conta e aposentadoria. A Loterj também poderá prestar esses serviços para a sociedade carioca. Você terá um terminal on-line ligado em tempo real, bastando para isso que se faça convênios, como já temos com os bancos, basta que se faça convênios com as demais concessionárias de serviços públicos.
BNL – Você sabe que a Loterj vai entrar como uma cunha no monopólio da loteria federal e sua operadora ao utilizar os terminais da loteria on-line como terminais financeiros e com certeza, outros estados brasileiros vão acompanhar a Loterj na utilização dessa modalidade que foi responsável pela modernização das loterias no mundo inteiro. Esse sistema facilitaria a operação de jogos regionais, como você cita no inicio da entrevista. Você acredita nessa possibilidade?
Waldomiro – Eu ficaria muito feliz como administrador e presidente da Loterj, se num futuro próximo nós pudéssemos levar a cabo essa proposta. Digo mais que isso, as loterias hoje vivem de suas receitas e tem as mais diversas aplicações, seja no social, seja na cultura como está pretendendo São Paulo, seja na destinação para fundo de previdência como Mato Grosso do Sul está querendo fazer, ou seja todas as destinações são corretas, se as loterias puderem incrementar as suas receitas com prestação de serviços, será ótimo para aproveitar a capacidade ociosa dessa rede já instalada para prestação de serviços para a sociedade. Vou mais além, eu digo isso com tranqüilidade porque fui funcionário da Caixa por 17 anos e deixei a Caixa para trabalhar e assessorar os governos estaduais. Eu acho que a Caixa tem que olhar as loterias estaduais como parceiras. Deveriam nos convidar para um debate sobre a abertura dos seus pontos de vendas para os produtos lotéricos estaduais. Aqui no Rio de Janeiro, nós já podemos vender os produtos nos pontos de vendas da CEF, fruto de uma dura batalha judicial em que a Caixa foi obrigada sob pena de uma multa, devido uma ação impetrada pelo nosso distribuidor. A Caixa deve num futuro próximo repensar a sua estratégia de atuação nos Estados. Até porque, o dinheiro arrecadado nos estados vai para Brasília e não retorna e quando retorna é a conta-gotas. No caso das loterias estaduais, no dia seguinte a população já está sendo beneficiada. Na Loterj, repassamos mensalmente os recursos advindos das loterias para Obra Social.
BNL – No ano passado, quanto foi repassado para a Vida – Obra Social do Estado do Rio de Janeiro, dirigido pela primeira-dama, Rosangela Matheus?
Waldomiro – Em 2001, a Loterj repassou para Obra Social aproximadamente R$ 15 milhões. O que é gratificante. O lema da nossa loteria é “Você aposta, o Rio todo ganha” e isso está sendo cumprido a risca. É uma determinação de Governo Garotinho.
BNL – O Rio de Janeiro teve o pioneirismo de lançar a primeira Loteria de Bingos do Brasil, ou seja estadualizou a operação e fiscalização dos bingos. Hoje vemos esse vácuo na legislação federal em que os bingos estão praticamente estão sem fiscalização, ou seja, só o Rio de Janeiro é que tem uma legislação em vigor. Paralelamente, a Loterj acaba de editar uma nova regulamentação para a Loteria de Bingos. Isso seria um aprimoramento da legislação?
Waldomiro – Certamente! Eu digo sempre que o Governador Garotinho juntamente com o meu antecessor Dr. Daniel Homem de Carvalho tiveram a ousadia de criar a Loteria de Bingos com uma legislação muito avançada. O que inclusive, dificultou que a Caixa Econômica viesse intervir no Rio de Janeiro, já que a Justiça entendeu o que estava sendo feito. A nossa administração aprimorou o que precisava ser corrigido. Verificamos que precisaríamos corrigir a tabela e as taxas que vinham sendo cobradas. Por que isso? Os bingos no Rio de Janeiro são um sucesso, os empresários do Brasil todo nos consultam sobre o que á necessário para abrir um bingo. Nós temos hoje 30 casas em funcionamento e recentemente o Romário abriu o seu bingo. Eu creio que uando uma pessoa bem sucedida como o Romário abre um bingo é porque o mercado é atraente. A mudança que nós fizemos na legislação está no site da Loterj (www.loterj.rj.gov.br ). Recebemos consultas diariamente, o que serve de referência para outros estados.
BNL – Gostaríamos que o Senhor falasse de algumas novidades da nova legislação?
Waldomiro – Quando falo em aprimoramento, acredito que o ponto frágil da nossa legislação era que alguns bingos não tinham entidades esportivas como operadoras. E é uma exigência da legislação federal, não que sejamos obrigados a copiar, mas entendemos que os bingos têm que estarem vinculados a uma entidade esportiva e, além a obrigatoriedade, aproveitamos e estabelecemos que cada entidade esportiva só poderá operar três bingos no máximo. Com isso, evitamos distorções. A segunda, foi corrigir a cobrança das faixas de funcionamento para exploração do bingo permanente, atrelado ao funcionamento da venda de cartelas. Como o mercado evoluiu, passamos a cobrar uma taxa permanente mediante ao perfil de cada bingo. Por exemplo o bingo de maior percentual de arrecadação do Rio, o Arpoador pagava para a Loterj 22 mil Ufirs mensais pela exploração de bingo permanente. Hoje, com a nova legislação e de acordo com seu potencial, o Arpoador paga 80 mil Ufirs por mês.
BNL – E a compra das cartelas não é mais na sede da Loterj?
Waldomiro – Essa é outra novidade. A compra das cartelas está sendo feita diretamente com a mesma gráfica que a Loterj comprava anteriormente. Ela é credenciada da Loterj e as cartelas têm cinco itens de segurança. Essa é a melhor cartela do Brasil e a gráfica passou a fornecer a Loterj mensalmente todas as compras, todas as séries de todos os bingos. Ou seja, o volume de compras de cada empresário e tudo isso auditado pela fiscalização. A legislação ficou mais dinâmica e mais justa e justamente isso aumentou a nossa arrecadação.
BNL – A Loterj colocou um limite de abertura de bingos por região do Estado?
Waldomiro – Não! Nós somos escravos da legislação, nós temos a legislação que eu julgo quase perfeita. Nós temos a Associação de Bingos do Rio de Janeiro e ela é muito atuante, o entendimento com os empresários a Loterj não interfere nas ações da iniciativa privada, nós não interferimos em quem pode e quem não pode. Logicamente que para abrir um bingo no Rio de Janeiro o empresário ele precisa dispor de capital inicial de no mínimo R$ 500 mil exatamente para inibir os aventureiros e os incautos. Nós não interferimos no mercado, praticamente quem decide isso é a Associação dos Bingos como é feita a divisão do mercado e onde é quem pode abrir. Logicamente que existe uma limitação que você não pode explorar bingo em qualquer lugar existe determinações que o Decreto impõe. Mas quanto à divisão regional, quem pode abrir e quem não pode a Loterj não interfere, existe sim um entendimento no bom senso entre os empresários liderados pela Associação.
BNL – O que representa hoje o faturamento dos bingos para a Loterj?
Waldomiro – A estadualização foi vital para a Loterj. Hoje a arrecadação dos bingos está ultrapassando R$ 2 milhões mensais. Como a receita com os bingos é composta por taxas você não deduz nada e ela acaba sendo significativa no faturamento global da Autarquia. No ano passado nós um incremento da ordem de 70%. A Loteria de Bingos do Rio de Janeiro faturou algo em torno de R$ 18 milhões no ano passado. Foi um incremento significativo na receita da Loterj e também nas para as obras sociais do Estado.
Damos hoje continuidade a entrevista exclusiva com o presidente da Loterj, Waldomiro Diniz.
BNL: E as raspadinhas? A Loterj teve uma queda nas vendas das Raspadinhas, mas informações do mercado afirmam que as vendas já voltaram a normalidade. Qual é hoje a realidade das raspadinhas? e como o Senhor fez pra aumentar as vendas?
Waldomiro: Isso foi talvez um dos trabalhos mais gratificantes da nossa administração. As raspadinhas do Rio, todo mundo sabe e você já teve a oportunidade de noticiar no BNL, de cada sete raspadinhas vendidas, cinco são da Loterj e duas da Caixa, sendo que a nossa Raspadinha custa hoje R$1,00 e a da Caixa R$0,50. Então nós temos um volume de vendas muito maior. A raspadinha é uma compra de impulso, e de um fator atratividade que é a premiação e a credibilidade. A credibilidade ela sempre teve. Em todos os jogos da Loterj, o fator credibilidade é preponderante. Mas a atratividade, está baseada em novos jogos, uma renovação permanente e mídia. A Raspadinha não sobrevive sem a mídia. Criamos uma linha de comunicação e fizemos uma campanha parecida com aquele casal do Unibanco. Esse casal são nossos garotos propaganda. Então, todo mês a gente renova, além disso, contratamos uma equipe de profissionais de marketing pra produzir os nossos bilhetes, para redesenhar seus conceitos e estamos lançando, em média, um ou dois bilhetes mensais. Para nossa surpresa, nós tivemos, já no primeiro semestre, uma ótima reação do público que voltou a consumir a Raspadinha do Rio e vamos fechar janeiro com um crescimento de 100% digamos assim. Saímos do patamar de R$3 milhões em média pra pouco mais de R$6 milhões, em janeiro. A raspadinha é a cara do Rio de Janeiro. É a cara da Loterj, embora o Bingo seja o produto mais rentável, a Raspadinha é um produto que é a cara do povo carioca. O povo gosta da Raspadinha do Rio de Janeiro.
BNL: O senhor acha que a Raspadinha vai esgotar num determinado momento?
Waldomiro: Eu acredito que o jogo está migrando o jogo eletrônico. Haja visto, que a Loteria de Bingo Eletrônico que estão dentro das casas de bingo são uma coqueluche. É onde você tem um grande volume de apostas. Eu creio que esse determinado segmento do jogo, assim como foram outros, como foi a loteria federal se você não tem mais clientes pra esses produtos eles acabam. Com o tempo a Raspadinha poderá perder atratividade. Para quem conhece a Raspadinha do Rio de Janeiro, nós estamos mudando a mecânica dessa loteria, ou seja, incentivando a compra de duplas (duas Raspadinhas), melhorando a premiação. Como ela dá no mínimo 50% de premiação, em cada 100 bilhetes, 50 são premiados. Eu acho que o público migra. Agora com o lançamento da Loteria On-line, nós teremos um equilíbrio melhor entre o consumo desses produtos. Logicamente que o público conhece o melhor plano lotérico. Ele vai aonde tem mais prêmio. Se você tiver um jogo que dê mais prêmio o apostador vai dar preferência para essa loteria. Agora, a Raspadinha tem o fator mídia, se você tiver uma boa mídia, uma mídia atraente, você vai ter apostador. Na minha opinião, a raspadinha do Rio é um sucesso e vai continuar sendo.
BNL: E os apostadores sabem qual o jogo que paga melhor?
Waldomiro: Com certeza! Nós temos hoje 10 modelos de Raspadinhas e temos o bilhete do Carro Já que é um campeão de vendas, há muito tempo. Aí nós lançamos o bilhete da camionete com um bom plano de premiação. Vendemos um milhão de bilhetes em 20 dias. Também foi um sucesso. Recentemente, lançamos o Dinheiro Já, com prêmio em dinheiro. Esse bilhete pra nossa surpresa conseguiu bater todos os recordes. Vendeu um milhão de bilhetes em 18 dias. Então o público sabe onde está o bilhete bom, não é só o fato daquele produto ter uma mídia mais bonita, ele vai atrás de onde tem prêmio, onde tem mais facilidade para ganhar.
BNL: E o Totobola?
Waldomiro: O Totobola, eu o considero um bom produto. Nós fizemos alguns ajustes. Estamos dando um prêmio extra. Semanalmente, o Totobola tem um sorteio pela televisão, na TV Bandeirantes, todas às terças-feira, às 12:30, e, nós acrescentamos ao produto um prêmio extra de dois carros pra quem comprar o bilhete casado, ou seja, você compra dois bilhetes e concorre a mais um produto. A reação foi boa, mas cremos que elel ainda vai precisar de mais alguns ajustes pra melhorar. Por exemplo, no Rio Grande do Sul o Totobola é um sucesso absoluto. Aqui no Rio, ele vende muito bem, em Minas também, mas, temos potencial pra vender muito mais.
BNL: E os jogos pela Internet? A Loterj foi pioneira no lançamento de jogos pela Internet também. Hoje, Santa Catarina já tem um bingo pela Internet, e, temos informação que outros estados estão pretendendo lançar também jogos pela web. Qual a sua avaliação hoje, do Raspa Já e de futuro das modalidades virtuais? Você acredita no bingo pela Internet?
Waldomiro: Acredito! Eu acho que nós só temos que tomar as precauções devidas em preservar o nosso maior patrimônio. O maior patrimônio da loteria é o apostador. Nós não temos no Brasil, ainda, a cultura do jogo virtual, não é realidade.
BNL – Na verdade, somente nos últimos anos que os apostadores estão aprendendo a utilizar o jogo virtual!
Wandomiro – Exatamente! Mas a Loterj, a exemplo de outras modalidades, como foi bingo, como foi raspadinha, lançou no ano de 2001 o site Raspa Já (www.raspaja.com.br) e para nossa surpresa, ele tem correspondido muito bem. Nós temos no site diversas modalidades de raspadinhas, e, mudamos um pouco o conceito, estamos fazendo jogos temáticos, fizemos um acordo com o Flamengo e lançamos o jogo Gol Mengão. Acredito que precisamos trabalhar melhor o conceito, ou seja, não só incentivar, trazer o apostador através da mídia, de links, além de parcerias com grandes sites. Vou dar em primeira mão pro BNL. Fechamos essa semana um acordo com o diário Lance, que também tem um grande site de conteúdo esportivo. O Brasil todo conhece o diário Lance e ele será um canal de distribuição do Raspa-Já. O Raspa-Já se consolidou em 2001 como um dos primeiros portais de jogos virtuais e para nossa felicidade nós já encontramos. Ele também foi um trabalho feito pelo nosso antecessor, Dr Daniel Homem de Carvalho, que nis caoube consolidar. Você me perguntou sobre o futuro da raspadinha, eu creio que o público que compra o bilhete na rua vai acabar migrando pra Internet, principalmente, porque vai ter muito mais facilidade de apostar. Ele acaba sendo um apostador cativo, que chega do trabalho, entra no site e aposta.

BNL – O país sempre associa o jogo à bandidagem. A população não sabe fazer uma distinção entre jogo e loteria. O Senhor poderia emitir uma opinião conceitual sobre loterias?
Waldomiro – Primeiro, repudio qualquer declaração que jogo e loteria estão ligados à bandidagem, à máfia. Bobagem! Jogoe loteria são entretenimentos, o jogo é uma forma de lazer, joga quem pode, joga quem quer. Vai ao bingo quem pode, quem quer. Ninguém é pego pelo braço e levado à uma casa de bingo. Não pode ir, não pode, não é? Nós difundimos assim. A Loterj contribui anualmente com uma quantia para os jogadores anônimos do Rio de Janeiro, ou seja, nós temos consciência de que o jogo vive de credibilidade e aí eu convoco os meus colegas, dirigentes de loterias, pra que se faça uma campanha de esclarecimento. Essa pergunta vem em boa hora. Porque no Rio a Loterj vem alcançando o sucesso que ela tem? O único motivo é que os recursos da loteria têm uma destinação para o social. Nós temos uma obra fantástica no Rio de Janeiro, vou citar alguns exemplos: 990 casas já construídas com água, esgoto, com ambulância, creche, dentro desse conjunto habitacional. Nós temos creches construídas atendendo vários municípios. Nós já distribuímos mais de 150 ambulâncias em todo o Estado e isso em três anos do governo Garotinho. E o que significam 150 ambulâncias no Rio de Janeiro? Significa quase duas ambulâncias por município – são 92 municípios no estado do Rio de Janeiro. No governo Garotinho já foram repassados, somente pela Loteria, mais de R$ 30 milhões para as obras sociais. Então todo o estado do Rio confia na Loterj. Só que a Autarquia também cumpre a sua função, ou seja, não pode haver sombra de dúvidas sobre a qual o papel das loterias.

BNL – Você está querendo dizer que as loterias só se justificam pela aplicação dos seus resultados no social?
Waldomiro – Se o apostador sabe que parte dos recursos das loterias tem uma destinação justa e que servirá para minimizar a carência da população mais necessitada deixa o apostador mais confortado. Mas logicamente ele vai atrás de um prêmio. Mas não é só isso, eu acredito que no Brasil mais do que fazer leis, boas leis, mas muitas vezes elas não funcionam, como foi o caso dos bingos a nível federal.

BNL – Bom você tocar nesse assunto. O que você acha sobre estadualização dos bingos, a volta da operação dos bingos para os Estados?
Waldomiro – Corretíssima, salutar, pertinente e necessária! (enfatiza) Por que? Eu fui convidado pra expor um trabalho da Loterj na Comissão de Educação na Câmara dos Deputados, isso no ano de 2001 e acredito que os deputados ficaram satisfeitos com o que eles ouviram da experiência e os números do Rio de Janeiro. A Loterj tem uma política clara, nós temos uma equipe de auditoria que atua em dois turnos, ou seja, ela trabalha diuturnamente fiscalizando os bingos, fiscalizando os terminais de aposta. Nós protegemos o apostador. A estadualização a nível nacional, vem em muito boa hora. O Governo Federal tem que entender o seguinte, não basta ser dono do monopólio do jogo no Brasil, tem que saber administrar o monopólio. E o bingo, deixo claro que é uma opinião pessoal, se tornou um problema para Caixa Econômica. Aqui na Loterj, nós estamos mostrando que os bingos podem ser uma solução. Se o governo tiver bom senso e os nossos colegas administradores de loterias estaduais tiverem competência, acredito que a estadualização vai ser um sucesso no restante do país.
BNL – Tramita no Senado um Projeto de Lei sobre a legalização dos cassinos e do jogo do bicho no país. O jogo do bicho acabou pegando carona no Projeto na Câmara dos Deputados. Atualmente, o Projeto encontra-se no Senado Federal. Prevê-se para qualquer momento a votação no Plenário. Sendo aprovada, ela irá à sanção presidencial. O Projeto da forma que está, caberá aos Estados a operação em caráter provisório dos cassinos em cada região. Tenho duas perguntas em função dessa apresentação. O Senhor acredita que essa lei será aprovada e, no caso de aprovada, como a Loterj poderá operar os cassinos?
Waldomiro – Como presidente da maior das loterias estaduais do Brasil, eu não vou me negar a debater esse tema onde quer que ele seja colocado. Mas quero ressaltar que essa é uma opinião pessoal. Está na hora dos parlamentares e, não só os parlamentares, mas a sociedade, de discutir esse tema mais a fundo. Por que? Se você observar, todo ano, na elaboração do orçamento discute-se quanto é que vai sobrar para o social, e no final das contas, lá no rodapé do orçamento, você tem o social. E nunca sobra dinheiro para essa rubrica. É onde estão as maiores dívidas dos governantes para com a sociedade. Se o Congresso tiver bom senso, ele elaboraria uma legislação responsável. A Loterj está servindo como exemplo aos demais estados da Federação com a responsabilidade que opera as suas loterias. No Rio a cultura do jogo é muito intensa, então creio que temos condições de assumir essa nova responsabilidade. Acredito também que o jogo do bicho já teve o seu momento áureo. O bicho hoje é quase que um jogo lúdico. Quem joga no bicho hoje é meu avô, o jogo envelheceu. Houve uma migração do apostador para o jogo eletrônico, para o terminal eletrônico. Você anda pelas ruas e já não vê mais aquela quantidade de bancas de apostas. Os cassinos sim, seriam muito bem-vindos ao Brasil. Teríamos um incremento de receita e turismo. Imagine uma cidade como o Rio de Janeiro com cassino. Logicamente tem que ter critério, com a quantidade e não pode ter um cassino em cada bairro, não comporta .
BNL – Existe uma discussão entre dois modelos de cassino. O modelo europeu e o modelo americano. Os americanos gostariam que os cassinos no Brasil fossem hotéis-cassino, ou seja, você teria maiores investimentos, além disso, coibiria a entrada de pessoas de baixa renda. Os europeus, especificamente os espanhóis, acreditam que o modelo ideal seria criar os cassinos adaptados. Existem pessoas que defendem que os Bingos poderiam se transformar em cassinos. Essa opção é perigosa, pois nós teríamos uma explosão de cassinos podendo ser danoso para a atividade. Qual a sua opinião sobre esse assunto?
Waldomiro – Mais uma vez, vou emitir a minha opinião pessoal. Novamente acredito no fator responsabilidade. Não dá pra abrir um cassino em cada esquina, um cassino em cada bairro. A própria sociedade vai rejeitar. Eu creio que a idéia de se atrelar o cassino ao turismo com distância das cidades é a melhor forma. O modelo norte-americano poderá ser o melhor. Logicamente que vamos ter o lobby de quem quer controlar. Mas eu acho que se tivéssemos uma legislação que liberasse, mas de forma controlada, atrelando o cassino ao turismo, dentro de hotéis, seria o melhor sistema para o Brasil. Os estados não comportam uma quantidade infindável de cassinos sem um controle absoluto. Quem vai controlar isso? O Governo Federal vai controlar isso? Não dá. Logicamente isso pode ficar sob responsabilidade dos estados.
BNL – Nos últimos jogos internacionais, temos observado placas publicitárias das Raspadinhas da Loterj. Além das aplicações dos recursos no social, a loteria do Rio patrocina também uma série de eventos esportivos, entre outros. O Senhor poderia falar sobre esse assunto?
Waldomiro – Essa é uma tarefa gratificante juntamente com as aplicações no social. Qualquer loteria ou jogo precisa do consentimento social, ou seja, a sociedade precisa aceitar aquele produto. Tem que ser uma parceria com a sociedade. A Loterj tem participado ativamente da vida da sociedade, não só colocando uma placa no estádio mas patrocinando os eventos culturais, não só da cidade do Rio de Janeiro, como no interior. Nós patrocinamos uma série de festas religiosas, de eventos culturais por todo o estado durante esse ano. Mais que isso, estamos patrocinando peças de teatro, 15 atletas, sendo 12 para-olímpicos, inclusive atletas que ganharam medalhas nas para-olimpíadas de Atlanta. Estamos cada vez mais inseridos no contexto da sociedade.
BNL – Aproveitando que estamos na véspera do Carnaval, a Loterj patrocina um projeto que forma mestre-sala e porta-bandeira. Como vai o projeto?
Waldomiro – Esse é um grande projeto para a cidade e as pessoas precisam se dar conta dele. Nós temos no Rio de Janeiro um projeto inédito que é uma escola que forma mestre-sala e porta-bandeira, dirigido pelo mestre Dionísio, funcionário da Loterj. Como funciona esse projeto? Mestre Dionísio, pega essas crianças na periferia dentro das comunidades e traz para uma escola que forma os futuros bailarinos que a população vê defendendo as Escolas de Samba. Crianças que já têm a cultura do carnaval e o povo carioca tem essa cultura. Para participar a criança tem que estar matriculada no curso regular, para poderem aprender o ofício do carnaval. É um projeto maravilhoso. Nesse próximo fim de semana, vamos assistir os alunos abrindo várias Escolas. Diversas Escolas de Samba do Grupo Especial, têm mestre-sala e porta-bandeira formados no curso do mestre Dionísio. É gratificante ver os recursos da loteria do Rio de Janeiro patrocinar esse projeto, que tem a cara dessa cidade.

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