Estados americanos recorrem a loterias para aumentar receita.
A maior competição da série mundial de pôquer, o torneio "Texas hold’em" sem limite, começou segunda-feira no Hotel e Cassino Binion’s Horseshoe, em Las Vegas. A entrada custa US$ 10 mil. Até amanhã, um vencedor levará um prêmio que deverá chegar a US$ 2 milhões.
Mas enquanto os olhos dos jogadores se fixam no Horseshoe, o verdadeiro agito nos negócios da sorte nos EUA se encontra neste ano em lugares menos glamourosos. Os Estados americanos já levantam US$ 20 bilhões por ano com loterias e cassinos, mais de 4% de sua receita total. Agora, em capitais que vão de Albany, Estado de Nova York, a Springfield, Illinois, e Salem, Oregon, os políticos discutem se vale a pena contar ainda mais com a jogatina para tentar equilibrar os orçamentos sem aumentos de impostos ou cortes em serviços.
Ao longo dos próximos anos, o resultado bem poderia ser uma expansão acelerada dos jogos, tornando as apostas mais acessíveis e deixando os Estados e cidades mais dependentes da disposição dos cidadãos de baixa renda para o jogo.
Desde 1991, quando começou a atual onda de legalização, a quantia que os americanos perdem por ano em todos os tipos de apostas, incluindo loterias, cassinos e cavalos, aumentou de US$ 27 bilhões para US$ 68 bilhões, segundo o banco de investimento Christiansen Capital Advisors, especializado em jogos e entretenimento. Os americanos hoje gastam mais em apostas do que em cinemas, vídeos, DVDs, música e livros.
Com um índice de crescimento anual de 9% desde 1991, os jogos avançam mais rapidamente que a economia como um todo. Até agora, porém, esse crescimento não parece ter provocado nenhuma reação grave. Durante os anos 90, os oponentes da legalização advertiam para a possibilidade de uma onda de falências e lares quebrados. As previsões não se confirmaram.
O canal ESPN2 exibe torneios de pôquer regularmente. O livro Positively Fifth Street, sobre a série mundial de pôquer, é best-seller. Atualmente, 47 Estados têm algum jogo de azar legalizado, e o Tennessee, um dos que ainda não têm, estuda a adoção de uma loteria.
Em meio à procura por novas fontes de receita, mais Estados estão recorrendo ao jogo – mais especificamente a algum tipo destinado ao público de baixa renda e que é particularmente prejudicial aos suscetíveis ao vício.
Na semana passada, por exemplo, o governador nova-iorquino, George Pataki, em seu plano para salvar a cidade de Nova York, anunciou que instalaria até 4.500 novos terminais de vídeo de loteria em três grandes postos lotéricos.
Os terminais de vídeo estão entre as formas de jogo que mais viciam e que menos geram empregos ou efeitos econômicos positivos.
Porém, não por coincidência, os terminais podem ser taxados com alíquotas extraordinariamente altas. Na Virgínia Ocidental, um dos Estados mais pobres, os terminais representam 12% da receita do governo estadual. Em Las Vegas, o dinheiro ganho pelos cassinos é taxado em 6,25%. Por outro lado, em alguns Estados os terminais de loteria são taxados em até 50%. The New York Times – ALEX BERENSON


