Bingos: é necessário separar o joio do trigo.
Respeito todas opiniões a respeito do fechamento dos bingos no Brasil, desde que feitas com conhecimento de causa. O que está em jogo não são os “direitos adquiridos” dos empresários de bingos. O que está em jogo são os empregos (330 mil diretos e indiretos no Brasil), o patrocínio e financiamento de atividades esportivas, o apoio para instituições assistenciais, o incremento turismo interno do lazer e do entretenimento e a geração de impostos. Qual é a opção de lazer da terceira idade, por exemplo?
Sugiro cautela aos que insistem em afirmar, sem provas, que os bingos têm envolvimento com a contravenção, narcotráfico, máfia e lavagem de dinheiro. A atividade tem suas mazelas, como qualquer outra. Mas também encontramos exceções. Empresários sérios e comprometidos com os aspectos já mencionados. Empreendedores injustiçados, colocados na “vala comum” ao lado de inescrupulosos. Foi infeliz a Medida Provisória, assinada pelo Presidente Lula, proibindo o funcionamento dos bingos em todo território nacional.
O que estes empresários buscam, há muitos anos, é a regulamentação do setor. Somente assim haverá a separação do joio e do trigo. E vamos parar com afirmações que o bingo leva ao vício ou que degenera a instituição Família. Vai a um bingo quem quer, joga quem quer e ninguém é obrigado a isso. Olhem estes tipos de casa como opção de lazer e entretenimento. E as loterias institucionalizadas, os carnês do Baú, a Telesena, os bingos de igreja e o famoso jogo do bicho? Quem fiscaliza? Quem se atreve a criticar?
Imoral é a fome, o desemprego, o salário mínimo, as condições de vida abaixo linha de pobreza, a concentração de renda, a corrupção no meio político, as CPIs que não apuram nada e as tentativas do governo para tampar o sol com a peneira.
O caso dos bingos, o “Waldomirogate”, está sendo usado para desviar a atenção da opinião pública em ano eleitoral. O que está por trás disso é o financiamento de campanhas eleitorais. É isso que o governo teme. E os bingos são os bodes expiatórios.
Não podemos correr o risco de cair na armadilha de teses prontas e mal intencionadas. Esse conselho também é extensivo aos veículos de comunicação, que em respeito ao bom jornalismo deveriam investigar qualquer indício de irregularidade antes de publicá-la. Uma inverdade repetida muitas vezes leva o leitor a acreditar que é verdade.
Defendo teses que acredito e acho temerária esta Medida Provisória. Abre um precedente perigoso para a ingerência governamental em outros setores da iniciativa privada. Seria o socialismo chegando disfarçado de moralidade pública? Regulamentar os bingos no Brasil é preciso. E logo!
(*) Giovani Vitória é jornalista.


