Apostadores no DF são majoritariamente homens jovens com renda entre 1 e 3 salários mínimos

Apostas I 14.02.26

Por: Magno José

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Apostadores no DF são majoritariamente homens jovens com renda entre 1 e 3 salários mínimos, revela pesquisa 1
Estudo conduzido pelo IPEDF em parceria com Secretaria da Família identificou que 85,5% dos entrevistados buscam ganho financeiro nas apostas, enquanto 11,1% citam diversão

O Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) iniciou um estudo para mapear o perfil dos apostadores na capital federal. A pesquisa “O Perfil dos Apostadores no DF” começou na quarta-feira (29/1) em parceria com a Secretaria de Estado da Família do Distrito Federal. O objetivo é identificar quem são os cidadãos que participam de jogos de azar, suas motivações e os impactos dessas atividades.

Pesquisadores uniformizados estão aplicando questionários em pontos de grande circulação em todas as regiões administrativas do DF. O levantamento aborda maiores de 18 anos, tanto apostadores quanto não apostadores, garantindo o anonimato dos participantes.

O estudo analisa diferentes tipos de jogos praticados pela população e organiza os resultados por fatores como gênero e faixa de renda. A metodologia foi desenvolvida para orientar a criação de políticas públicas específicas para o contexto local.

Rodrigo Delmasso, Secretário de Estado da Família do DF, explicou as razões para a realização da pesquisa: “Os jogos de azar, especialmente no ambiente digital, deixaram de ser apenas uma prática recreativa e passaram a gerar impactos reais na vida das famílias, como endividamento, conflitos familiares e adoecimento emocional. O estudo inédito nos permite compreender quem são os apostadores no DF, onde estão e como esse comportamento afeta a dinâmica familiar. Com dados técnicos o GDF poderá formular políticas públicas preventivas, voltadas à educação financeira, à saúde mental e ao fortalecimento das famílias, protegendo especialmente os mais vulneráveis.”

A distribuição da população apostadora por modalidade apostada nos últimos 12 meses é: loteria – 26,6%, bets (apostas esportivas) – 8,4%, bingo – 8%, Jogo do Tigrinho e outros tipos de cassino – 6,5% e Jogo do Bicho – 4,8%.

Dados para políticas públicas

O diretor-presidente do IPEDF, Manoel Barros, destacou a importância do levantamento para o desenvolvimento de ações governamentais. “O IPEDF tem como missão produzir informações qualificadas para orientar a tomada de decisão no âmbito das políticas públicas. Este estudo, sobre o perfil dos apostadores no D F é fundamental para compreender um fenômeno que vem se intensificando e que possui impactos diretos na vida das famílias, especialmente no que se refere ao endividamento e à vulnerabilidade social. Ao oferecer dados objetivos e territorializados, a pesquisa contribui para que o poder público atue de forma preventiva e baseada em evidências”, afirmou.

Marcela Machado, diretora de Estudos e Políticas Sociais do Instituto, ressaltou a relevância do tema: “Com a rápida expansão das plataformas de jogos on-line e o fácil acesso às apostas, torna-se fundamental produzir um diagnóstico consistente sobre o perfil dos apostadores e sobre as possíveis consequências desse hábito na vida financeira, social e na saúde da população. O estudo permite compreender melhor esse fenômeno no contexto específico do Distrito Federal e subsidiar políticas públicas que consigam dar conta da problemática que envolve as apostas”.

Apostadores no DF são majoritariamente homens jovens com renda entre 1 e 3 salários mínimos, revela pesquisa

Contexto nacional e local

A iniciativa ocorre em um momento de crescimento das plataformas digitais de apostas, conhecidas como “bets“, em todo o Brasil. Dados preliminares nacionais mostram que o perfil predominante dos apostadores está na faixa etária de 16 a 34 anos. Existe também participação expressiva de aposentados nesse mercado.

O estudo conduzido pelo IPEDF e pela Secretaria da Família busca verificar se esse padrão se repete no Distrito Federal e identificar características específicas da população local. Os resultados servirão como base para o desenvolvimento de programas preventivos adaptados à realidade da capital federal.

A pesquisa representa um esforço do governo local para compreender os efeitos sociais, financeiros e de saúde relacionados às apostas. Os dados coletados permitirão uma visão territorializada do fenômeno, possibilitando intervenções direcionadas às necessidades de cada região administrativa do DF.

Resultados preocupantes

Os primeiros resultados da pesquisa, que entrevistou 1.827 homens e mulheres entre 8 e 25 de setembro de 2025, revelam dados alarmantes. No Distrito Federal, apenas 5,8% dos apostadores receberam algum tipo de benefício social, percentual inferior ao observado entre não apostadores, que alcança 8,9%.

Segundo o estudo, o número de pessoas que fizeram algum tipo de aposta nos últimos 12 meses é de mais de um terço (35%), valor superior ao verificado no Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool e Outras Drogas (Lenad) de 2024 para o Centro-Oeste (18,7%).

Marcela Machado explicou que, embora 5,8% possa parecer um percentual baixo, é preocupante quando analisado em conjunto com outros dados. “Olhando para essa informação junto às demais, a exemplo de renda, em que a maior parte dos apostadores está na renda média-baixa e baixa, chama a atenção”, afirmou. Segundo ela, parte deste grupo provavelmente usa o benefício, direta ou indiretamente, para apostar.

“Em vez de investir na compra de alimentos para a família, saúde, um percentual dessa renda está sendo destinada para apostas. Não são 0,1%. São 5,8%. Esse percentual chama a atenção. E as pessoas não tiveram pudor em falar. Disseram: eu recebo benefício social e estou apostando”, alertou.

Entre os beneficiários que apostam, 64,9% recebem Bolsa Família, 21,6% utilizam o Cartão Prato Cheio, 8,1% recebem aposentadoria ou auxílio-doença, 8,1% são beneficiários do BPC/LOAS, 5,4% recebem auxílio gás, e 2,7% cada para DF Social e pensão por morte.

Perfil dos apostadores

De acordo com o estudo, a prática da aposta é mais frequente entre homens, jovens adultos e pessoas com renda entre um e três salários mínimos. Os apostadores estão principalmente entre os empregados do setor privado (38,3%) e os autônomos (22,5%). Desempregados somam 3,9%, enquanto empresários representam 4,8%. No setor público, a participação chega a 8,4%, e aposentados formam 11,6% dos apostadores.

Quanto à escolaridade, os apostadores se concentram no ensino médio completo (44,4%) e no superior incompleto (10,2%), enquanto os não apostadores têm maior presença no superior completo (19,9%).

A motivação mais relatada pelos entrevistados foi o ganho financeiro (85,5%), seguida por prazer ou diversão (11,1%) e socializar com familiares e amigos (7,3%). “São homens de baixa renda. A pessoa não tem renda para cobrir os gastos cotidianos, mas gasta com apostas, na esperança que terá ganhos mais fáceis”, pontuou Machado.

O estudo também revela uma migração para plataformas digitais. As loterias seguem como a modalidade mais popular, com uso mais ocasional e mais presente entre o público mais velho. Já as modalidades digitais, como cassinos on-line (jogo do tigrinho) e apostas esportivas (bets), concentram usuários mais jovens, apresentam maior frequência de uso diário, maior comprometimento financeiro e maior volume de gastos.

Em relação à regulamentação de cassinos virtuais e apostas esportivas, as opiniões se dividem entre favoráveis e contrárias. Segundo Machado, uma regulamentação responsável traria uma política de prevenção, informações mais claras para o consumidor, proteção para os grupos vulneráveis e pessoas que recebem benefícios sociais.


Pesquisa Apostadores no Distrito Federal

A pesquisa apresentada neste relatório é resultado de uma parceria estabelecida entre o IPEDF Codeplan e a Secretaria de Estado da Família do Distrito Federal. Trata-se de um estudo inédito sobre apostadores no Distrito Federal, que propõe a identificação do perfil sociodemográfico dos apostadores no DF, bem como as motivações que os levam a aderir a diferentes modalidades de jogos de azar. Além disso, buscou-se entender as percepções dos apostadores sobre os impactos pessoais e sociais associados à prática dos jogos de azar, os padrões de consumo e os aspectos financeiros envolvidos na participação em jogos de azar, fatores que influenciam na adesão e na manutenção das motivações para apostarem em jogos de azar. É captada também as percepções dos não apostadores do Distrito Federal sobre jogos de azar. A pesquisa considera apostas legais e ilegais, presenciais e online, com o objetivo de captar a diversidade de  comportamentos e perfis envolvidos, em um cenário de sobreposição de normas, plataformas e estímulos para a adesão a essa prática.

Relatório – Apostadores no Distrito Federal – Diagnóstico comportamental e sociodemográfico (61 páginas)

Sumário Executivo – Apostadores no Distrito Federal – Diagnóstico comportamental e sociodemográfico (17 páginas)

COMO CITAR

IPEDF – INSTITUTO DE PESQUISA E ESTATÍSTICA DO DISTRITO FEDERAL. Apostadores no Distrito Federal – Diagnóstico comportamental e sociodemográfico. Relatório. Brasília: IPEDF, 2026.

IPEDF – INSTITUTO DE PESQUISA E ESTATÍSTICA DO DISTRITO FEDERAL. Apostadores no Distrito Federal – Diagnóstico comportamental e sociodemográfico. Sumário executivo. Brasília: IPEDF, 2026.

DADOS DA PESQUISA 

Base de dados

Dicionário de dados da base

Script da análise

 

 

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