Dados do IBGE desmontam narrativa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) sobre as apostas, afirma ANJL

Dados oficiais e fatores macroeconômicos desmontam a narrativa criada esta semana pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) de uma suposta relação entre o aumento do consumo de alimentos e a proibição das bets legalizadas no país. Essa é a avaliação da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que chama a atenção, ainda, para a investida do setor varejista de alimentos na semana anterior à realização da audiência pública pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para debater a continuidade do setor de apostas no país.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro, referente ao período de 16 de setembro a 14 de outubro, foi de 0,38%, ou seja, um recuo no crescimento da inflação de quase a metade do índice registrado no mês anterior, de 0,7%. Segundo o IPCA-15, embora o grupo de alimentos e bebidas tenha registrado avanço de 0,88%, os preços de diversos itens, inclusive os que compõem a cesta básica, recuaram no período, que abrange tanto os últimos dias da vigência do mercado de apostas quanto as duas primeiras semanas após o seu término.
O IBGE destacou quedas significativas em vários itens, como cenoura (-10,67%), frutas (-1,37%) e o próprio café moído, citado pela Abras, que ficou 1,16% mais barato. Outros itens que compõem a cesta básica, como feijão-carioca, leite e carnes, também registraram queda nos preços.
Outro fator que contribui significativamente para o aumento do consumo de alimentos básicos é o reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado em setembro pelo governo federal, com vigência a partir de outubro. O impacto desse aumento deve ser considerado diante do comportamento de consumo dos brasileiros. Segundo pesquisa da Quiddity, em parceria com a consultoria Ágora, 58% da população chega ao fim do mês sem dinheiro sobrando ou gasta mais do que recebe. Somam-se a esse cenário dois grandes feriados nos meses de setembro e outubro. De acordo com levantamento da Scanntech Brasil, plataforma de inteligência de mercado, essas datas impulsionam o consumo coletivo e movimentam o varejo, principalmente os supermercados.
Para o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, os dados macroeconômicos comprovam que não faz sentido a associação do fim das apostas legalizadas no Brasil com o aumento no consumo de determinados alimentos. “Mais uma vez, um setor que sempre se opôs à indústria de apostas lança ilações à sociedade brasileira sobre os impactos das apostas. Esquece ou ignora, de forma proposital, que atualmente milhões de apostadores continuam jogando, mas nos mais de 30 mil sites ilegais disponíveis e acessíveis no Brasil”, disse Lemos Jorge.
A divulgação dos dados sem embasamento fático pela Abras ocorre a apenas uma semana da audiência pública no STF, que vai ocorrer dia 03, para debater o futuro do mercado, para a qual foram convidadas 26 entidades e instituições de diversos setores, entre elas a ANJL. Também está prevista a participação de clubes de futebol, um dos principais impactados pela proibição repentina do mercado no país.
Nesse contexto, a ANJL avalia como, no mínimo, suspeita a divulgação de informações enganosas próximo de um encontro em que haverá um debate com a sociedade civil. “A propagação de informações falsas, sem comprovação em dados concretos, parece mais uma tentativa de mobilizar a opinião pública para um lado. Não sabemos com quais intenções isso é feito. Os mais prejudicados não são as empresas, mas os apostadores brasileiros, que, sem o mercado legalizado, continuarão à mercê dos sites ilegais”, afirmou Lemos Jorge.
Sobre a ANJL
Lançada em março de 2023, a Associação Nacional de Jogos e Loterias defende os interesses de seus associados, do setor e do jogo responsável e íntegro, sempre pautados pelo incentivo ao esporte, pela segurança das apostas e pela contribuição ao desenvolvimento econômico do país. Entre os associados estão: Aposta Ganha Loterias, Fast Gaming, OiG Gaming Brazil, Ana Gaming Brasil, Esportes Gaming Brasil, SPRBT Interactive Brasil, Defy, LBBR Aposta de Quota Fixa, Lucky Gaming, Reals Brasil, Gamewiz Brasil, BETBR Loterias, Versus Brasil, SorteNaBet Gaming Brasil, Blow Marketplace, Sistema Lotérico de Pernambuco, Vanguard Entretenimento Brasil, Hiper Bet Tecnologia, Pocket Games, ODDSGATE Brasil, Upbet Brasil, EB Intermediações e Big Brazil Tecnologia e Loteria, EBAC, TaDa Gaming, BB Gaming Legitimuz Tecnologia e JogaJunto.


