Futebol consolida-se como negócio global de US$ 286 bi com Copa do Mundo

A Copa do Mundo 2026 disputada nos Estados Unidos, México e Canadá consolidou o futebol como um dos maiores negócios do planeta. O torneio ampliado para 48 seleções deve terminar com mais de 6,8 milhões de torcedores nos estádios e uma audiência estimada de 1,8 bilhão de pessoas na final, segundo a Fifa.
A dimensão financeira do esporte vai muito além dos estádios, conforme análise publicada pelo Valor. O volume global de apostas esportivas cresceu 50% desde 2022 e deve atingir US$ 123,4 bilhões em 2026, segundo projeção do estudo “Sports Betting Market”, da Grand View Research. O futebol responde por cerca de metade desse total; na Europa e na América Latina, a participação ultrapassa 70%. Esse dinheiro retorna ao esporte na forma de patrocínios e publicidade, impulsionando receitas de clubes e ligas em todo o mundo.
O efeito das apostas sobre o futebol brasileiro ilustra a escala do fenômeno. Os 20 principais clubes do país elevaram o faturamento conjunto de R$ 9 bilhões, em 2022, para R$ 15 bilhões no ano passado, de acordo com a consultoria Sports Value. Parte relevante dessa expansão é atribuída à explosão das bets como fonte de patrocínio.
Dimensão econômica do torneio
A Fifa estima faturar até US$ 13 bilhões no ciclo 2022-2026, que inclui esta Copa. O valor mais que dobra os US$ 7,5 bilhões registrados no ciclo anterior, da Copa do Qatar, disputada com 32 seleções. Em comparação, a NFL registrou quase US$ 25 bilhões de faturamento na temporada 2025-26, e a NBA, US$ 14,3 bilhões; porém, essas competições têm duração e número de jogos muito superiores aos de uma Copa do Mundo.
Um estudo do Bank of America, divulgado em junho de 2026, estima que a Copa do Mundo tinha o potencial de agregar cerca de US$ 41 bilhões ao PIB global e gerar mais de 800 mil empregos em todo o mundo neste ano. Parte desse impacto viria de um engajamento digital sem precedentes, por ser a primeira edição com uso intensivo de inteligência artificial.
O futebol europeu, por sua vez, atingiu receita recorde de 40,2 bilhões de euros na temporada 2024/25, segundo o “Annual Review of Football Finance 2026”, da consultoria Deloitte. Esse valor contempla apenas bilheteria, direitos de televisão e negociações comerciais de clubes, ligas e entidades; exclui gastos indiretos como transporte de torcedores, infraestrutura e mídia esportiva.
Apostas e remuneração
A remuneração dos principais jogadores acompanha a expansão do negócio. Cristiano Ronaldo, o atleta mais bem pago do mundo, recebe cerca de US$ 300 milhões anuais. Para efeito de comparação, o ranking deste ano da consultoria The Motley Fool aponta Niraj Shah, da Wayfair, como o CEO mais bem remunerado do planeta, com US$ 280,8 milhões anuais; valor inferior ao do jogador português. Kylian Mbappé, por sua vez, tem remuneração próxima à de Lip-Bu Tan, CEO da Intel.
Em 2022, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que o futebol movimentava US$ 286 bilhões por ano, cifra que colocaria o esporte entre as 50 maiores economias mundiais, equiparável ao PIB da Finlândia. Nenhum estudo detalhado foi divulgado para corroborar o número. Com o crescimento das apostas e o impacto desta Copa, projeções atuais sugerem que esse patamar pode ter sido superado.
Próximas fronteiras
Com esta edição, o futebol avançou nos Estados Unidos, mercado ainda dominado pelo futebol americano, pelo basquete, pelo hóquei no gelo e pelo beisebol. A Ásia, que concentra metade da população mundial e 40% do PIB global, é apontada como a próxima fronteira de expansão do esporte.
A Arábia Saudita, sede da Copa de 2034, prevê gastar US$ 26 bilhões na construção e reforma de 15 estádios e na ampliação de infraestrutura para o torneio. A expansão para 48 equipes também reforçou a influência política da Fifa; a distribuição de vagas adicionais às confederações continentais, combinada com o aumento na distribuição de recursos financeiros, contribuiu para que Infantino fosse reeleito à presidência da entidade por duas vezes sem concorrentes.


