A regulamentação ampla dos jogos QUE JÁ EXISTEM trará benefícios à coletividade

As audiências públicas são eventos importantes para que os atores do mercado possam se posicionar.
Procurei expor aos presentes a experiência acumulada em quase três décadas de atuação no segmento, argumentando, a medida do possível, alguns pontos divergentes em relação à manifestação de outros presentes. O bonito disso tudo é que todas as manifestações foram respeitosas e democráticas.
Apesar de divergir, o debate sempre é importante pois contribui para a escolha do melhor caminho. As boas práticas mundiais de loteria indicam um caminho contrário ao sugerido na audiência pública da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Outro ponto relevante é que o Distrito Federal está no caminho de estar seguindo o exemplo de 193 países integrantes da ONU, que regulamentaram as loterias e jogos. O governo do DF escolheu estar ao lado dos Estados Unidos, Itália, França, Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai, entre outros, que entendem a relevância da indústria do jogo para a criação de empregos e renda para os mais necessitados.
Alguns defendem que o Distrito Federal esteja aliado ao grupo dos 37 países restantes, ladeado por Afeganistão, Bolívia, Emirados Árabes, Coreia do Norte e mais algumas dezenas de países com menor expressão social e econômica ao redor do mundo. Estes países proíbem os jogos. A maioria por questões de cunho religioso.
É uma questão de escolha. Nossas companhias demonstram o que pensamos e o que queremos ser e quem serão nossas referências.
Por isso estamos na luta pela regulamentação ampla dos jogos. Somente assim o jogo, QUE JÁ EXISTE, trará benefícios à coletividade.
Atualmente, existem pouquíssimas política pública de apoio às pessoas com transtorno compulsivo relacionado às apostas. Sim, existem pessoas impactadas pelos jogos. Mas só o holofote apontado de forma correta para o assunto irá atenuar o problema.
Atualmente, essas pessoas são impactadas diariamente por jogos não regulados (que superam R$ 20 bilhões por ano) e sem que o estado tenha nenhum resultado com isso.
A quem interessa a manutenção deste modelo?
Fechar os olhos para as ações não legalizadas quando se tem condições de discutir de forma séria os conceitos de jogo responsável, autoexclusão, entre outras ações mitigatórias é um desperdício. Existem muitas pessoas qualificadas no País para construir um modelo eficaz de controle.
É só querer e destinar parte dos recursos arrecadados para este fim.
Até quando iremos preferir “vender o sofá da sala”?
(*) Amilton Noble é diretor Executivo da Hebara Distribuidora de Produtos Lotéricos S/A.


