Caixa rebate críticas da GTech a concorrência

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BRASÍLIA – Terá hoje mais um capítulo a briga entre a Caixa Econômica Federal e a GTech Brasil, empresa de tecnologia de informação na área de loterias, por causa de uma licitação da instituição. A direção do banco vai divulgar nota oficial rebatendo as acusações feitas pela GTech num comunicado publicado ontem em vários jornais.
Entre outras coisas, a empresa, que opera o serviço de loterias desde 1997, afirma que a Caixa não está cumprindo decisões judiciais e já foi considerada “litigante de má-fé em diversas instâncias da Justiça federal”.
O comunicado pegou a direção da Caixa de surpresa e, ontem, os advogados da instituição se apressavam para rebater as acusações.
Estão em jogo receitas de cerca de R$ 300 milhões por ano da GTech, investimentos de R$ 1,2 bilhão da Caixa e o domínio de tecnologia que pode ser fundamental para o banco no futuro. A pendenga pode estourar nas mãos do próximo presidente da República.
Em 13 de janeiro, acaba o contrato da Caixa com a GTech, que hoje é responsável pela realização, transmissão e processamento dos jogos, além de pagamentos de contas nos 9 mil pontos lotéricos do País.
O problema é que o desentendimento, que se arrasta desde 2000, está emperrando a licitação. “Pela lei, a Caixa não pode operar o serviço com uma empresa por mais de cinco anos, incluindo as prorrogações”, diz um técnico da Caixa. “Com isso, se chegar janeiro e a licitação não estiver concluída, teremos de fazer algo para não suspender jogos e serviços.”
Segundo ele, nesse caso, será necessária alguma medida do presidente da República para que o contrato atual seja prorrogado até a definição da concorrência. Inicialmente, a Caixa pretendia dividir o que hoje é feito pela GTech em três serviços: captação, transmissão e processamento das informações e fazer a seleção separada.
Formato – “Se fôssemos exigir propostas globais, só a GTech teria condições de participar”, argumenta o técnico. Foi aí que a briga começou. A GTech não gostou e ganhou na Justiça o direito de fazer a proposta única. A Caixa, então, decidiu por um novo modelo. “A instituição evoluiu muito e hoje temos condições de fazer o processamento”, afirma o técnico.
Com isso, a Caixa quer fazer concorrência para fornecimentos dos equipamentos, outra para escolher a empresa para transmissão dos dados e uma terceira para compra dos volantes e bobinas. Os gastos foram estimados em R$ 1,2 bilhão em cinco anos.
“A Caixa não quer mais ficar amarrada na tecnologia de terceiros. Não se sabe o que vai ocorrer com mercado de jogos”, diz. Segundo ele, a Caixa hoje tem o monopólio desse mercado, mas isso pode não ocorrer no futuro. “Se quisermos ser competentes, precisamos dominar a tecnologia.”
A palavra final será da Justiça. Por enquanto, a Caixa conseguiu uma liminar para continuar o processo, desde que não realize contratação. O caso deverá levar algum tempo para ser julgado. “Enquanto isso, quem ganha?
A GTech”, diz o técnico. A briga promete. Fora este, existem mais nove processos entre a GTech e a Caixa.
O Estado de S.Paulo – Sheila D’Amorim

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