O número 24 do ‘veado’ no jogo do bicho é associado ao preconceito

Jogo do Bicho I 07.07.21

Por: Magno José

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“Mera liberalidade”: CBF responde na Justiça sobre número 24 e diz que combate todo preconceito

O número 24, que representa o veado no jogo do bicho virou símbolo de polêmica no Brasil nos últimos dias, o que fez com que, por muito tempo, fosse atrelado a gays de forma pejorativa. No futebol, muitos jogadores brasileiros se recusam a usar este número nos clubes.

O Brasil é o único dos 10 times da Copa América que não tem o número 24. Em torneios regulares, as listas são limitadas a 23 jogadores e os números 1-23 são selecionados de acordo. Mas, para permitir qualquer mudança de time como resultado da Covid-19, o limite do time foi aumentado (o Brasil tem 24 jogadores) e o número de camisas a serem selecionadas foi estendido para 1-30.

Na semana passada, o coletivo LGBTQIA+ apontou preconceito com o número 24 causado pela associação ao animal veado no jogo do bicho como um possível motivo de ele não estar presente nas camisas da Seleção Brasileira. O pedido de esclarecimento foi apresentado pela ONG Grupo Arco Íris de Cidadania LGBT, que fez cinco questionamentos a serem respondidos pela entidade.

Depois de receber o pedido da Justiça, a CBF informou o motivo pelo qual o número 24 não está presente nas camisas da Seleção Brasileira, a entidade cumpriu a solicitação, e se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

A CBF afirmou que a decisão foi por opção tática e de escolha pessoal do jogador, mesmo contando com os 24 jogadores com numeração sequencial, do 1 ao 23, pulando o 24, e com o meia Douglas Luiz usando a 25.

“(A decisão foi tomada) em razão de sua posição (meio campo) e por mera liberalidade optou-se pelo número 25”. Como poderia ter sido 24, 26, 27 ou 28, a depender da posição desportiva do jogador convocado: em regra, numeração mais baixa para os defensores, mediana para volantes e meio campo, e mais alta para os atacantes” disse, em trecho da resposta enviada à Justiça, disse a entidade.

O GloboEsporte.com veiculou uma reportagem de 10 minutos sobre o tema. Confira.

CBF é alvo de representação na Fifa por não usar a camisa 24 na Copa América

Nesta terça-feira (6), o Grupo Arco Íris de Cidadania LGBT apresentou ao Comitê de Ética da Fifa uma representação contra a CBF por ser a única seleção na Copa América a não usar a camisa 24. O grupo considera a posição uma “clara ofensa a comunidade LGBTQIA+ e uma atitude homofóbica”, revela o Blog Ancelmo Gois no Globo Online.

O grupo fez uma reclamação formal sobre uma possível violação das normas de Direitos Humanos e de não-discriminação. Como se sabe, no Brasil, a conotação histórico cultural que envolve o número o associa aos gays em função do “Jogo do Bicho”.

A representação cita que o preconceito contra a população LGBTQIA+ está enraizado no futebol brasileiro, sem contar o fato de o grupo social ser alvo recorrente de ataques.

Representado pelo advogado Carlos Nicodemos, o grupo pede a abertura de investigação por parte da Fifa e a notificação da CBF para que apresente uma explicação.

A CBF, por sua vez, argumentou que o fato de não usar o número 24 é um direito seu, sem ter qualquer conotação homofóbica. A resposta só aconteceu após ordem do TJ do Rio. A Confederação também se defendeu ao lembrar de outras ações contra a homofobia que tem feito nos últimos anos.

Mas afinal, por que 24 é considerado um número gay?

O Observatório G veiculado no site do UOL esclarece sobre a difundida curiosidade em torno do número 24 e sua associação aos gays.

A explicação mais comum é que 24 é o número do veado no jogo do bicho, que foi muito popular no Brasil. Com essa explicação surge outra dúvida.

Por que o veado é associado aos homossexuais?

Essa é fácil. Sabe-se que os veados costumam ter relações sexuais entre animais do mesmo sexo. Logo surgiu a “comparação”. Contudo não é exclusividade dessa raça as relações homossexuais, vários animais possuem comportamento homoafetivo.

“Outra explicação bastante comum seria que o som de 24 é muito similar a “vim de quatro”. Mesmo com essas explicações há quem diga que o número gay seria o 11 (um atrás do outro)”, revela a publicação.

Comento

Impressionante como o jogo do bicho, que completou 129 anos no último sábado (3), impactou na cultura popular e no cotidiano dos brasileiros, tendo forte influência no comportamento preconceituoso e homofóbico com relação ao número 24, que representa o veado na loteria de números.

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